A campanha pela canonização do índio tupinambá e a nação brasileira de quatro, aguentando o pepinão

Ainda ontem, num misto de euforia e saudade, almoçava com Dra. Arlete Sendra, no Opção 21 (Campos dos Goytacazes-RJ), e falávamos de muitas coisas, mas nos aprofundávamos mais nas questões das linguagens, representações da arte no século XXI. Interessante como nossos pontos de vista iam-se completando uns aos outros até chegarmos a alguns AUTORES QUE CONSIDERAMOS SEREM AUTORES DO SÉCULO XXI, mesmo tendo escrito no século XX: característica central de escritores como José Cândido de Carvalho e Hilda Hilst, a pós-verdade, sobre a qual terei que voltar a falar sobre suas inserções nas artes.

Contei-lhe sobre minha alegria de estar em Salvador (BA), assumidamente aposentado e desenhando, coisa que não fazia há algum tempo, pois a Academia e seus atropelos nos tiram o tempo, muitas vezes o prazer da leitura desobrigatória. Papo foi e voltou e nos sentimos muito à vontade para expressarmos nossos atuais interesses.

O meu, confesso, é continuar “estudando Salvador e sua gente”, desenhar e cuidar dos meus orixás, com leituras obrigatoriamente lúdicas, aquelas que posso agora escolher.

SÍMBOLO DA CAMPANHA pela canonização de São Tibiras do Maranhão, considerado o índio mártir gay

Esta manhã até postei no face a história de Tibira, um índio Tupinambá que foi amarrado a um canhão, isso no Maranhão de colonização francesa, por um frei capuchinho, porque era homoerótico. O homoerotismo era coisa muito bem-vinda entre nossos braslíndios, digo que até sagrada, mesmo entre as mulheres que podiam ter suas mulheres e ocupações masculinas, etc. Tibira foi estraçalhado depois de explodirem o canhão com ele amarrado à sua bocarra. Uma sinédoque/alegoria do nosso Brasil de hoje, também amordaçado até certo ponto e amarrado a vários canhões dos liberais de plantão. A sodomia entre a maioria das tribos indígenas não era crime.

No entanto, vou falar de crimes. Quero falar de crimes.

Salto de Salvador, onde o homoerotismo é mais bem aceito que em outras cidades maiores, para Brasília, cidade hospedeira das bichas velhas do ciclo das baratas, ladras de casaca e cartola, e que cagam e fedem em qualquer panela. Essa sim é a sodomia que enfia o pepino no povo brasileiro, sem pena, para parafasear Hilda Hilst, nós de quatro, aguentando o pepinão, golpe após golpe. Vilipendiados, de quatro, vendo entregarem nossas brasilidades e nossas latinidades ao neoliberalismo imperial estadunidense. Nojo! Sinto nojo.

Massacrados estamos pela lama escaldante do canhão do planalto, da esplanada e do STF, cujo chefe maior, o bruxo vampiro temeroso, se faz de bobo para tentar assimilar que não é poeta, sequer tem a sensibilidade de se conhecer, de se ver ao espelho (não se enxerga!) e como um trapalhão faz as piruetas do roubo, do espúrio, et caterva.

São Tibira está vendo. Viva os índios Tupinambás!

Santa polêmica à vista. O Grupo Gay da Bahia (GGB) lançou uma campanha pela canonização do índio tupinambá Tibira, do Maranhão, que, conforme historiadores, foi perseguido por franceses, obedecendo ordens do frei capuchinho Yves d’Evreux, e executado de forma brutal, com uma bala de canhão, por ser homossexual, em 1614. Os postulantes, liderados pelo antropólogo, historiador e fundador do GGB, Luiz Mott, querem que Tibira seja reconhecido pela Igreja Católica como o primeiro mártir gay das Américas. A iniciativa não encontrou resistência no Rio: o cardeal-arcebispo Dom Orani João Tempesta diz que basta preencher os requesitos exigidos.

“Não conheço ainda a história de Tibira com profundidade, mas creio que todos têm o direito de postular a canonização de alguém, desde que os requisitos exigidos pelo Vaticano sejam preenchidos. Se o candidato viveu uma vida de santidade, o Evangelho em sua plenitude e colocou em prática a palavra de Deus, não há motivo que impeça a candidatura”, opina dom Orani.

Para Luiz Mott, a santificação de Tibira seria uma espécie de ‘mea culpa’ da Igreja, já que na época, a cristandade considerava a sodomia (sexo anal) “o mais torpe, sujo e desonesto pecado”.

“Para evitar eventuais futuros amantes do mesmo sexo, religiosos, mesmo sem autorização do Papa ou da inquisição, ordenavam a captura e morte sumária de gays. A morte de Tibira foi o primeiro crime homofóbico do país. O martírio dele é descrito detalhadamente pelo missionário d’Evreux em seu livro ‘História das Coisas Mais Memoráveis Acontecidas no Maranhão nos anos de 1613 e 1614’”, justifica o ativista.

Para reforçar a campanha, Luiz Mott publicou o livro ‘São Tibira do Maranhão, Índio Gay Mártir’, junto com o cordel ‘Tibira do Maranhão: Santo Homossexual’, de autoria da cordelista feminista e professora do Bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidade da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Salete Maria.

“Nosso objetivo é tornar a campanha mundial”, adianta Salete. Santinhos com a imagem e a história de Tibira serão fartamente divulgadas nas ruas e na internet.

INICIATIVA É BANDEIRA PELA TOLERÂNCIA 

O Grupo Gay da Bahia, com apoio de entidades LGBT, enviou ofício à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, solicitando a abertura do processo de canonização de Tibira. “Essa luta vai chamar a atenção para a violência contra homossexuais no Brasil, onde um gay é morto por dia”, lamenta Luis Mott. No Rio, representantes do Rio Sem Homofobia não se manifestaram em relação a Tibira. Na cidade, 12 casos de agressões contra gays são registrados a cada 24 horas.

Lauro Barretto, advogado e pesquisador especializado em beatificações, considera natural a busca pela santificação do índio. “Os franciscanos patrocinaram a canonização de Frei Galvão; as carmelitas querem ver Madre Maria José de Jesus santa; e os nordestinos, Padre Cícero. Compreensível que movimentos gays advoguem a causa de Tibira, ainda mais agora que o Papa Francisco prega tolerância da Igreja quanto à questão homossexual”, diz.

E que se fodam o temeroso, seus comparsas, o congresso e o STF! Viva o povo brasileiro!

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