A banalização da justiça e do MP na cidade de Campos dos Goytacazes está despertando a fúria do jacaré “Ururau Irado”

Os juízes da comarca de Campos dos Goytacazes, bem com os promotores que primam pela seriedade, devem ficar constrangidos diante da banalização na conduta de dois representantes dessas instituições na cidade do Norte Fluminense.

Refiro-me ao juiz Ralph Manhães e ao promotor Leandro Manhães (o sobrenome é mera coincidência).

Na última sexta-feira (17/03), agentes do Grupo de Apoio aos Promotores (GAP) saíram de Campos com destino à sede da empresa Palavra de Paz no centro do Rio de Janeiro e um apartamento no bairro Flamengo.

NA IMAGEM ACIMA Fórum Maria Teresa Gusmão, sede da Comarca de Campos dos Goytacazes-RJ. A banalização da justiça deve preocupar o magistrados sensatos, que é maioria na cidade do Norte Fluminense

O objetivo era uma busca apreensão na residência do ex-governador Anthony Garotinho e na empresa de onde ele apresenta o seu programa diariamente pelo Facebook. O GAP estava em busca de provas da existência de um suposto dossiê organizado pelo ex-chefe da polícia Civil Álvaro Lins para constranger o promotor, o juiz e o delegado da Polícia Federal que atuaram na operação Vale-Voto e operação Chequinho na eleição do ano passado na cidade de Campos. E o suposto mandante seria o ex-governador.

O pedido para esta operação partiu do promotor Manhães e foi autorizado pelo juiz Ralph.

Mas de onde saiu à motivação para este aparato? De uma nota divulgada no Jornal Folha da Manhã, conhecido pela oposição sistemática que promove contra o grupo político de Anthony Garotinho na cidade. Dias antes deste delírio, o mesmo jornal publicou um pedido de desculpas a Wladimir Garotinho, filho do ex-governador, por ter publicado indevidamente seu nome como investigado na operação Vale-Voto. É o que no jargão das redações é conhecido por “barrigada”. É a “cacada” barulhenta que  desperta do sono o *Ururau Irado.

Na sexta-feira, portanto, a promotoria pretendia levantar se havia imagens de Álvaro Lins entrando no prédio em que funciona o Palavra de Paz ou na casa de Garotinho. É bom que se diga que esta investigação não é piada de salão. É fato.

Então, emergem as perguntas que não calam: além de ser proibido de visitar a cidade de Campos por determinação judicial (o que já é uma afronta a Constituição Federal), Garotinho está impedido de conversar com as pessoas? Se daqui a pouco uma “fonte” divulgar que tenho um dossiê, minha casa será invadida ou vasculhada e o MP vai querer saber com quem tomei uma taça de vinho?

Não tenho conhecimento de encontro entre Lins e Garotinho, mas ainda que tenha ocorrido, isso incorre em algum ato infracional? Nada se pode concluir para o espanto dos juristas que já andam estupefatos com os rumos da Justiça no Estado do Rio.

As decisões judiciais neste país já foram mais bem fundamentadas. Hoje basta ouvir dizer para se autorizar uma invasão de residência ou condução coercitiva. Mas é um estágio que precisa ter um basta. As corregedorias tanto do Ministério Público quanto do Tribunal de Justiça precisam conter esses absurdos, porque as coisas estão chegando longe demais. Se o GAP é autorizado a invadir a casa de um ex-governador por motivações tão frágeis, o que não fariam com um cidadão comum.

Uma autoridade corajosa também deve apurar informações de que notícias estariam sendo plantadas em redações para motivar determinado tipo de atuação. Se isso é verdade, estamos diante de ambiente sórdido. É a imprensa como braço auxiliar da polícia.

É muita lambança a um só tempo! É o jornalismo do “ouvimos dizer” pautando o Ministério Público e a Justiça. Imagine se amanhã ou depois este mesmo jornal cita que uma fonte informou que um desafeto esconde terrorista dentro de casa! Será o suficiente para alguém ter a casa invadida pelo GAP com amparo da justiça. É algo que lembra a imprensa nos tempos Assis Chateaubriand, quando os desafetos do magnata eram demonizados nos noticiários ou sentenciado em manchetes de jornais. Foi uma era de assassinatos de reputações. Este Brasil (pasme) ainda existe aqui no Norte Fluminense.

O Jornal o Globo, que citou o episódio de sexta-feira, sabiamente esquivou-se de futuros problemas jurídicos. Menciona o jornal de Campos como fonte da informação. Foi como se dissesse: “essa coisa partiu deles”.

TERMOS DE DEVOLUÇÃO dos HDS apreendidos pelos agentes do GAP na última sexta-feira. A turma do DOPs, temido órgão de repressão da ditadura, deve está festejando nos túmulos

Quer outra pior? Os HDs que foram apreendidos na operação foram devolvidos no mesmo dia por solicitação do Ministério Público. É de arrepiar os porões do DOPs (aquele temido órgão repressor da ditadura).

É lamentável, mas alguém precisa explicar a dupla Manhães que ela representa duas instituições que não podem cair na vala comum. Do jeito que as coisas vão, *Salem Rood, um louco que dizia coisas que pouca gente ousa repetir, será canonizado neste hospício a céu aberto.

Quem mora em Campos, conhece a frase que o assumidamente louco pichava nos muros para sintetizar a justiça brasileira. Quero continuar acreditando que a frase de Rood era fruto de mais um de seus delírios.

*Ururau é um Jacaré que faz parte do folclore local. Já o Ururau Irado foi um blog que fez sucesso corrigindo os pecados editoriais e gramaticais da imprensa na cidade de Campos dos Goytacazes.

*Salen Rood – Personagem de José Dornelas, maluco beleza, pichador e vendedor de livros. O codinome é (Salen Rood) é o sobrenome Dornelas escrito de trás para frente. Uma de suas frases:”Justiça brasileira: puta, vagabunda e maconheira”. Depois que passou a pichar a cidade com esta frase perdeu um espaço no qual vendia livros jurídicos no antigo Fórum, atualmente sede da Câmara de Vereadores. 

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