Temer tenta conter desgaste no mercado internacional; ministro critica narrativa da Polícia Federal

Da redação

Durante reunião com cerca de 40 representantes de países importadores de carne brasileira neste domingo (19/03), o presidente Michel Temer anunciou maior rigor na fiscalização dos frigoríficos do país. As informações são da Agência Brasil

Temer ressaltou que os problemas descobertos pela Operação “Carne Fraca” são pontuais, assegurou que a carne produzida e exportada pelo país é de qualidade. O presidente afirmou que o governo determinou celeridade nas auditorias que serão feitas nos estabelecimentos envolvidos no esquema criminoso.

NA IMAGEM ACIMA Presidente Michel Temer durante jantar em churrascaria com ministros e embaixadores | Foto: José Cruz/Agência Brasil

“Quero fazer um comunicado que decidimos acelerar o processo de auditoria nos estabelecimentos citados na investigação da Polícia Federal. Na verdade, são 21 unidades, no total, três dessas unidades foram suspensas e todas as 21 serão colocada sob regime especial de fiscalização a ser conduzida por força tarefa do Ministério da Agricultura”, anunciou Temer.

Para o presidente, as empresas flagradas no esquema de “maquiagem” de carne estragada é um “mínimo” diante do total de plantas frigoríficas do país.

“É importante sublinhar que dos 11 mil funcionário do Ministério da Agricultura, apenas 33 estão sendo investigados e das 4.837 unidades sujeitas a inspeção federal, delas, apenas 21 estão supostamente envolvidas em irregularidades. Fazemos essa comunicação para que os senhores, acompanhando o que estamos fazendo a partir de ontem, possam lançar esse comunicado aos seus países, governantes para tranquiliza-los no tocante ao noticiário que se deu nesses últimos dias”, disse aos representantes de países importadores de carne brasileira.

REPERCUSSÃO INTERNACIONAL

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que a China e a União Europeia pediram informações formais ao Brasil a respeito do esquema criminoso de “maquiagem” de carnes estragadas.

Maggi garantiu que até esta segunda-feira (20/03) será divulgado o nome e dos dados das empresas citadas nas investigações e para quais países elas exportaram nos últimos dois meses. De acordo com o ministro, seis dos 21 frigoríficos investigados pela Carne Fraca exportaram produtos nos últimos 60 dias.

“Acho absolutamente natural que os países façam isso, estaremos prontos a responder a todos os países que se manifestarem. Temos que ser mais transparentes possíveis nesse processo, dando as informações, de imediato, para que não restem dúvidas sobre a lisura do processo que o Brasil tem”.

MINISTRO DA AGRICULTURA Blairo Maggi na coletiva de imprensa sobre a operação Carne Fraca | Foto:José Cruz/Agência Brasil

Após reunião de emergência com o presidente Michel Temer e representantes de países compradores de carne brasileira, o ministro criticou a “narrativa” feita pela Polícia Federal ao divulgar a operação e o fato de o Ministério da Agricultura não ter sido informado das investigações.

“Acho que essa questão é muito mais da forma como foi comunicado e a narrativa que foi feita. Não posso ter controle sobre como as pessoas se expressam. Sobre a questão do papelão está claro no áudio de que estavam falando das embalagens e não de misturar papelão na carne. Isso é uma idiotice, uma insanidade para dizer a verdade”, disse Maggi.

Segundo o ministro, as empresas investem “milhões e milhões de dólares” para conquistar mercados e não seria razoável que elas misturassem papelão para aumentar seus lucros. “A narrativa nos leva a criar fantasias”, disse Maggi. O ministro disse ainda que o uso de ácido ascórbico e carne cabeça de porco nos embutidos, por exemplo, é permitido e a forma como essas informações foram divulgadas não foi adequada.

“No regulamento está lá escrito [que pode usar cabeça de porco] em percentuais em determinados produtos. Portanto, a fala de uma empresa que está comprando matéria prima para utilizar em A, B ou  C é permitido, não tem irregularidade nesse processo. Em função da narrativa é que se criou esse grande problema que estamos aqui colocados hoje”.

Maggi voltou a defender que o sistema de fiscalização sanitária do país e a classificou como confiável.

“Temos um sistema de fiscalização muito forte, robusto, reconhecido pelo mercado internacional, checamos toda a qualidade. Ao chegar aos países de destino, todos os produtos são novamente fiscalizados e checados. Nenhum mercado internacional é realizado sem que antes haja o reconhecimento dos sistemas de fiscalização, sanidade entre os países.”

Comentários

comentários