Autoridades e a imprensa sabiam de tudo, diz delatores da Odebrecht; dinheiro era movimentado em paraísos fiscais;

Da redação

No período de oito anos, entre 2006 e 2014, a Odebrecht movimentou R$ 10,6 bilhões em pagamento de propina a políticos e autoridades.  Foi o que revelou Hilberto Mascarenhas, ex-diretor do setor de operações estruturadas, um departamento criado para a empresa visando organizar o propinoduto.

Mascarenhas destacou em sua delação premiada ao Ministério Público Federal (MPF), que os recursos eram movimentados em contas offshores no exterior (em paraísos fiscais). Os depoimentos revelam algo devastador, mas revela o que todo mundo já sabia. A corrupção no Brasil é uma senhora idosa e amiga íntima do andar de cima.

O depoimento do empresário Emílio Odebrecht é revelador. Ex-presidente executivo e atual presidente do conselho de administração da empreiteira Odebrecht, ele disse que o esquema descoberto pela Operação Lava Jato ocorre há mais de 30 anos.

O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), retirou na última quarta-feira (12/04) o sigilo de 74 dos 76 inquéritos cuja abertura foi autorizada por ele contra 83 políticos suspeitos de envolvimento em esquemas de corrupção.

Os suspeitos foram citados por ex-executivos da empreiteira Odebrecht, que assinaram acordos de delação premiada com a Justiça. De acordo com a assessoria do STF, ao todo são 950 depoimentos prestados pelos 77 ex-funcionários da empresa.

No conteúdo das delações, os integrantes do grupo Odebrecht contam, entre outros pontos, como eram efetuados os pagamentos de propina e detalham os processos envolvidos no esquema.

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