O desafio de Francimara, a gestora de uma cidade pobre que tenta conciliar o trabalho e a luta contra o câncer de mama

Exercendo o primeiro mandato na cidade de São Francisco de Itabapoana, no Norte Fluminense, a prefeita Francimara Barbosa Lemos (PSB) terá dois desafios nesta sua estreia como gestora de um município.

Um será administrar uma das cidades mais pobres do Estado do Rio de Janeiro. São Francisco detém um dos piores índices de gestão Fiscal no ranking da Firjan.

O outro será no plano pessoal. Depois de assumir o mandato em janeiro deste ano, a prefeita usou sua página pessoal no Facebook para anunciar que estaria iniciando tratamento contra o câncer de mama, um drama que afeta milhares de mulheres no Brasil. É o câncer com maior incidência sobre o segmento feminino.

Segundo a prefeita, o tratamento não implicará no afastamento da função pública. Tentará conciliar trabalho e cuidados médicos.

Francimara teve uma postura corajosa. Compartilhou com a população de sua cidade um problema pessoal, mas que afeta inúmeras mulheres que optam pelo silêncio. Possivelmente sua disposição e energia irão estimular outras mulheres a fazerem um exame periódico, fator determinante para evitar e combater o câncer de mama. O diagnóstico precoce é um grande aliado de médicos e pacientes, mas certamente é ignorado por uma parcela significativa de mulheres, principalmente na zona rural.

Quando uma autoridade vem a público abordar um tema que afeta diretamente milhares de pessoas, ela exerce um papel pedagógico, chamando a atenção da sociedade. É um despertador para o problema.

A prefeita de São Francisco consumou uma vitória consagradora na eleição do ano passado. Venceu a máquina administrativa do então prefeito Pedrinho Cherene (PMDB). Venceu a descrença de setores da classe política local, que acreditava na invencibilidade da máquina.

É uma trajetória laboriosa, que vem de uma experiência profícua como secretaria de Ação Social no governo do marido Frederico Barbosa Lemos. Ele governou a cidade por dois anos, após o afastamento do então prefeito Beto Azevedo em 2012. Federico era vice.

Governar não será uma tarefa fácil, mas quem enfrenta um câncer de peito aberto demonstra robustez para grandes batalhas.

Antes dela, vale destacar, outra gestora pública que enfrentou um câncer de mama corajosamente foi a ex-secretária de Educação de Macaé, Marilena Garcia. Também abordou o drama pessoal publicamente e comoveu a cidade. São as mulheres fazendo a diferença.

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