Modalidade de investimento permite planejar compra |

Por Priscila Frez |

Colunista da revista VIU! e Portal VIU ONLINE

As compras por meio de consórcios estão atraindo consumidores. A fórmula é excelente para fugir dos juros bancários. O Consórcio nada mais é que uma modalidade de acesso ao mercado de consumo, de material ou serviço, baseado na união de pessoas físicas ou jurídicas. É como se fosse uma poupança coletiva.

Existe consórcio para tudo que se possa imaginar: casa, carro, festa, curso, cirurgia, viagens e até para casamento. Os mais vendidos são de casa e carro, mas o mercado está em expansão e a venda de consórcios de serviços tem chamado atenção.

Para ser contemplado nesta modalidade existem dois caminhos: sorteio e lance. O primeiro consiste em contar com a sorte e ser sorteado, já no segundo caso, os cotistas dão lances, em porcentagem do valor da carta de crédito, e os maiores valores são contemplados.

As exigências para ingressar nessa modalidade são: ganhar três vezes mais que o valor da parcela e ter o CPF sem restrições ao ser contemplado.

O Consórcio é atrativo mesmo em tempos de crise, pois apresenta como cobrança apenas taxa de administração – que varia de acordo com o prazo e o valor do bem – atualmente em torno de 3% a 20% ao ano – e fundo de reserva e seguro (esses dois últimos são opcionais).

Um exemplo de expansão neste mercado é a empresa Embracon, especializada em consórcios há 25 anos, que registrou um crescimento de mais de 25% comparados ao mesmo período de 2014. A Associação Brasileira de Administração de Consórcios – ABAC informou a venda de mais de 84 mil novas cotas nos primeiros cinco meses de 2015, um crescimento de 25,4% do mercado.

Vale ressaltar que os bens imóveis são reajustados pelo Índice Nacional de Custos da Construção – INCC.  Os bens móveis apresentam valor de prestação fixa, pois são ajustados pelo índice Nacional de Preços do Consumidor Amplo – IPCA.

As vantagens para ingressar nesse mundo são várias. Nessa modalidade não há pagamento de IOF nem juros mensais. O consumidor escolhe o valor do crédito, prazo e as parcelas cabem no bolso. Permite o planejamento a médio e longo prazo, portanto, é ideal para quem planeja o que fazer ou adquirir. O investimento é autorizado e fiscalizado pelo Banco Central.

Uma história verídica com nomes fictícios. João é o tipo da pessoa que sabe tudo de finanças e ama planejar cada troca de carro, viagens, cursos de extensão e não seria diferente num momento tão especial na vida da família: o casamento da filha mais velha.

Tão logo houve o pedido por parte do noivo, o pai se dispôs a financiar a festa do casamento. Ano passado fechou uma carta de crédito com uma empresa especializada em consórcios. João não imaginava que 15 meses depois sua filha desistiria do casamento. Após todo o período conturbado que passou pela desistência do casamento, fez a tão inesperada pergunta: E agora, o que eu faço com esse consórcio?

No caso de João não tem muito o quê fazer. O ideal é que ele continue a pagar (não dando lance) e quando quitar as parcelas receberá o capital de volta. Terá também a opção de desistir do consórcio informando oficialmente à administradora que desistiu, e só recuperará o que investiu quando o grupo se encerrar, lembrando que será reembolsado apenas o fundo comum, a taxa de administração e o fundo de reserva não serão devolvidos.

Essa modalidade não é a melhor opção para quem precisa do bem imediatamente. O prazo médio para grupos de veículos leves é de 60 meses e imóveis de 180 meses. Agora quem dispõe de tempo e planejamento, o plano é bastante flexível e é sem erro a melhor opção.

Eu recentemente fiz a aquisição de uma carta de crédito, embora necessite do bem, optei por esperar, tendo em vista que os juros que estão sendo cobrados em financiamentos são exorbitantes. Tudo depende da sua necessidade, eu preciso, mas preferi esperar a comprar um carro de categoria média pagando por um de luxo.

Aquisições de bens e serviços sempre devem acontecer após estudos. Faça avaliação dos prós e contras. Pesquise o preço na concorrência e até em cidades vizinhas se possível. Cuidado com as letras pequenas. Leia antes de assinar. Cuidado com os juros zero, muitos embutem zero a direita. Lembrem-se impostos nunca são zero. Sempre peça o CET (Custo Efetivo Total) do bem que está adquirindo, para não ter surpresas. Quando o assunto é de impacto ao orçamento, todo cuidado é necessário.

Comentários

comentários