Ex-presidente defende papel da mídia em fiscalizar os líderes mundiais: “o poder pode ser viciante”, disse

Da Agência Folha 

Abandonando a discrição que costuma caracterizar os ex-presidentes dos EUA, o republicano George W. Bush (2001-2009) criticou publicamente o atual mandatário, Donald Trump, por seus ataques à imprensa e a falta de transparência no governo.

“Acho que todos nós precisamos de respostas… Não sei o caminho certo a tomar. Mas sei que essa questão precisa ser respondida”, disse Bush ao ser questionado no programa matutino “Today”, da rede NBC, sobre as suspeitas de que assessores da campanha de Trump estiveram em contato com membros do governo russo durante a eleição de 2016.

“Acho que todos nós precisamos de respostas… Não sei o caminho certo a tomar. Mas sei que essa questão precisa ser respondida”, disse Bush ao ser questionado no programa matutino “Today”, da rede NBC, sobre as suspeitas de que assessores da campanha de Trump estiveram em contato com membros do governo russo durante a eleição de 2016.

Ele não descartou a ideia de um promotor ser designado especialmente para a investigação, nos moldes do caso Watergate, que levou à renúncia do então presidente Richard Nixon em 1974.

Bush também defendeu o papel da mídia em fiscalizar os líderes mundiais, lembrando que “o poder pode ser viciante”. “Precisamos de uma mídia independente para fiscalizar pessoas como eu.”

Para ele, os EUA não conseguirão convencer governos autoritários, incluindo a Rússia, a se abrir ao escrutínio da imprensa se líderes americanos tentam desacreditar a imprensa do seu próprio país.

O ex-presidente alertou ainda para políticas de imigração que discriminam muçulmanos. “Eu defendo uma política imigratória que seja acolhedora e respeite a lei”, disse Bush.

O presidente do comitê de inteligência da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Devin Nunes, disse nesta segunda-feira que não viu evidências de contato entre a campanha do presidente americano com o governo russo durante a eleição presidencial de 2016. Nunes disse ainda que não queria uma “caça às bruxas” chamando os cidadãos dos EUA antes das investigações do Congresso.

NOTA DA REDAÇÃO

A relevância nessas declarações não consiste apenas no fato de vir de um ex-presidente, mas também pelo fato de Bush ser do mesmo partido de Donald Trump. O presidente, portanto, encontra resistências no próprio núcleo republicano.

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