Governo tenta drenar recursos previdenciários para satisfazer a gula de investidores; no Rio de Janeiro em crise, cresce estatística de homicídios

O panorama social efervescente ganha contornos, ao mesmo tempo, hilariantes e preocupantes na terra da jabuticaba. O riso surge com a declaração infeliz de uma jornalista ligada aos interesses dos rentistas, ao afirmar que a recessão e o desemprego causam recuperação do poder de compra das famílias na forma de uma inflação mais contida (sic). Imaginemos então como um desempregado forçado a cortar todos os gastos recebeu esse comentário infeliz. Ou seja, a propaganda oficial pouco influencia uma sociedade atônita.

Na mesma semana os jornais anunciam que mais da metade dos deputados e senadores estão céticos quanto à aprovação da “reforma” da previdência social – de grande interesse para as instituições financeiras especializadas em previdência privada, associadas ao capital estrangeiro. Numa nação com 89 milhões de ocupados e 13 milhões de desempregados, esse filão renderia vultuosos lucros às custas da insegurança dos profissionais da classe média alocados no setor privado.

Somos um país com 30 milhões de aposentados e pensionistas, dos quais setenta por cento recebe apenas 1 salário mínimo. Drenar mais recursos dos gastos sociais e previdenciários, como forma de acalmar os “investidores” da dívida pública vai apenas aprofundar o grau de desigualdade em nossa sociedade de passado escravagista. A proposta atual de mudança impõe restrições desnecessárias aos mais pobres, cria pressão injusta sobre as mulheres e concede privilégios a grupos influentes.

A conjuntura de crise também assola as estruturas estaduais. No Estado do Rio de Janeiro crescem as estatísticas de homicídios e mortes de policiais em combate. Salários dos servidores, em atraso, reduzem a demanda agregada na economia fluminense. Seu orçamento sofre com os juros escorchantes do giro da dívida, suas principais receitas caíram com a recessão e pela crise da Petrobrás e seu sistema previdenciário mantém-se instável. Em contrapartida, a segunda unidade da federação contabiliza créditos da Lei Kandir e luta por uma melhor compensação financeira de sua extraordinária produção de petróleo e gás.

São tempos de conflito aberto, pois a geração de excedente na economia se retraiu. Somos um país calcado na exploração da força de trabalho. Basta constatar que o salário médio pago aos trabalhadores formais não supera dois mil reais mensais. A briga pela apropriação do fundo público põe em estado de guerra, assalariados super  tributados, proprietários de ativos valiosos que pagam poucos impostos e uma estrutura de gastos públicos, onde menos de 20% destina-se aos estratos mais pobres da sociedade. Portanto, o conflito se avoluma.

Comentários

comentários