Um ex-presidente condenado apenas por convicção, Aécio impune, Michel Temer blindado e Geddel Vieira Lima em prisão domiciliar; somos uma república de bananas;

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenado em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro em Curitiba-PR. Ele é acusado de ser o real proprietário de um tríplex no Guarujá, em São Paulo. O Ministério Público não encontrou provas. Tem apenas convicção. O ordenamento jurídico nas repúblicas de banana acolhe achismo como prova.

Enquanto isso, o senador Aécio Neves (PSDB), vulgo Mineirinho na roda das propinas, é flagrado em grampo telefônico tomando dinheiro de um executivo da JBS. Onde ele está? No senado, livre, leve, solto e blindado. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado arquivou um pedido de cassação.

O presidente Michel Temer, que escalou um preposto para apanhar uma mala com R$ 500 mil de um executivo do mesmo grupo, está promovendo um toma lá da cá para não cair. Foi gravado em negociatas no Palácio Jaburu e tenta negar o inegável. Tornou-se um cadáver insepulto.

O seu ex-ministro, Geddel Vieira Lima, que estava coagindo a esposa de um delator da Lava Jato, também recebeu o benefício de prisão domiciliar.

A bancada governista no Senado e na Câmara Federal, com boa parte de seus integrantes lambuzada no mar lama, aprovou uma reforma trabalhista que mata a CLT e agora vai para cima da previdência.

Em meio a esta suruba, a Bolsa de Valores sobe, o dólar cai e o mercado festeja. Chega a ser cômico.

O que é bom para o banqueiro definitivamente é péssimo para o andar de baixo. O Brasil pós-impeachment é uma tragédia moral e social. Não há dúvida. Com este pequeno histórico é possível saber o motivo pelo qual Michel Temer desfilou na última reunião de cúpula do G-20 como um João Ninguém. Uma nação com o mínimo de decência encara um governante nessas condições como qualquer coisa, como estadista nunca.

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