Macaé-RJ perde vagas com demissões na indústria do Petróleo e Campos dos Goytacazes volta a viver da safra canavieira; agricultura teve impacto positivo no país;

O saldo líquido entre admissões e demissões na cidade de Campos dos Goytacazes somou 1.658 vagas positivas no primeiro semestre deste ano, com mais 2,2% em relação a 2016. Colaborou positivamente para o resultado a safra de cana de açúcar com a criação de vagas sazonais. Só no mês de junho foram mais 291 vagas.

Por outro lado, o comércio registra números negativos, com menos 580 vagas, assim como a construção civil com perda de 521 vagas formais. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, divulgado nesta segunda-feira (17).

No segundo semestre deve pesar negativamente no mercado de trabalho local o ajuste na máquina pública municipal. Depois de ultrapassar a linha vermelha da Lei de Responsabilidade Fiscal, o prefeito Rafael Diniz deverá reduzir salários ou até mesmo demitir.

Já Macaé é a cidade fortemente impactada pela crise na Bacia de Campos. No primeiro semestre perdeu 3.830 vagas. Em junho foram menos 448 empregos formais.

Em São João da Barra, o Porto do Açu, que chegou a ser apontando como a redenção econômica do Norte Fluminense, ainda está aquém das expectativas. A cidade contabilizou mais 101 vagas formais no semestre e apenas 27 no mês de junho.

Nas pequenas cidades, o saldo no mercado de trabalho também é negativo, com exceção de São Francisco de Itabapoana. Em Carapebus, no semestre foram menos 20 vagas formais, com a criação de apenas uma vaga no mês de junho. Quissamã contabilizou menos seis vagas em junho e menos 35 vagas no semestre.

São Francisco de Itabapoana com 124 vagas criadas no mês de junho e mais 260 vagas criadas no semestre. A cidade também sente os reflexos positivos da safra agrícola, especialmente com a cana de açúcar.

VARIAÇÃO POSITIVA NO PAÍS

O mercado de trabalho brasileiro abriu 9.821 novos postos em junho, variação de 0,03% em relação ao mês anterior. Essa é a terceira expansão consecutiva e a quarta registrada no ano, segundo os dados do Caged.

Para o ministro do Trabalho e Emprego, Ronaldo Nogueira, os dados mostram que “a economia dá sinais de recuperação”.

“É melhor que seja gradual, em patamares menores, do que termos uma bolha. Isso nos dá a sinalização de que a economia se recupera de forma positiva”, afirmou.

O número do Caged é resultado da diferença de 1.181.930 admissões e 1.172.109 demissões. No acumulado do ano, o saldo alcançou 67.358 vagas de emprego abertas. No mesmo período do ano passado, o saldo foi negativo, com 531.765 postos de trabalho fechados a mais que abertos. O resultado acumulado nos últimos 12 meses ainda aponta uma redução de 749.060 postos de trabalho.

“Nós gostaríamos de comemorar números melhores, mas o Brasil é um país que tem especificidades e a economia é um conjunto de fatores – externos e internos. O governo está cumprindo seu papel no sentido de dar sinais para o mercado, com a aprovação de reformas. A expectativa é que se mantenham os números positivos até o final do ano”, ressaltou Nogueira.

SETORES

No mês de junho, o saldo positivo do Caged no país também foi impulsionado pela agropecuária, mas também teve o impacto da Administração Pública. Em maio, foram gerados 36.827 novos postos de trabalho na agropecuária, repetindo o desempenho do setor em maio, quando registrou um saldo positivo de 46.049 novas vagas. O setor de produção de café repetiu o desempenho do mês de maio e foi novamente o destaque do período, com 10.804 vagas abertas, concentras em Minas Gerais.

A Administração Pública fechou o mês com a criação de 704 novas vagas de emprego, um aumento de 0,08%.

SALDO NEGATIVO

Já os demais setores tiveram saldo negativo de emprego, com mais fechamentos de vagas que aberturas, como a construção civil (redução de 8.963 postos de trabalho), indústria de transformação (redução de 7.887 postos), serviços (redução de 7.273 postos) e comércio (com o fechamento de 2.747 vagas de trabalho).

“Não é possível que a construção civil se perpetue todos os meses apresentando números negativos. Construção civil para gerar emprego demora, tem a fase dos projetos, das licenças, das organizações das plantas de construção, isso leva de seis a oito meses. Todos os setores que apresentaram números negativos, quando se faz o comparativo com ano passado, os números são muito menores”, comparou.

O desempenho do emprego com carteira assinada foi liderado pela Região Sudeste, com a criação de 9.273 novos postos de trabalho, puxado por Minas Gerais, favorecido pela agropecuária e serviços, com saldo positivo de 15.445 vagas criadas.

A Região Centro-Oeste abriu 8.340 vagas, impulsionada por Mato Grosso, principalmente por setores como a agropecuária, comércio, serviços, construção civil e indústria da transformação. Goiás também teve expansão com a criação de 4.975 novos postos de trabalho, refletindo o setor de indústria da transformação, serviços e construção civil.

IMPACTO DA REFORMA TRABALHISTA

A expectativa do governo federal é a geração de 2 milhões de postos de trabalhos nos próximos dois anos. A previsão, segundo Nogueira, será conduzida por atividades que utilizam contrato com jornada parcial, trabalho intermitente e home office – quando o trabalhador exerce suas atividades de casa ou em outro local fora da empresa.

“O governo tem tomado medidas concretas. Ordenou as suas despesas, isso é um sinal muito importante para o mercado. O segundo sinal é a segurança jurídica: através da reforma trabalhista se sinaliza para o empregador não ficar com medo de contratar.”

*Agência VIU! com EBC

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