Prefeito de Macaé-RJ defende retomada da produção nas plataformas de petróleo por meio de consórcio entre iniciativa privada e Petrobras;

A nova rodada de leilões de poços de petróleo prevista para o segundo semestre, o fim da obrigatoriedade do conteúdo local na compra de equipamentos, o novo regime aduaneiro especial (que desonera a importação de equipamentos) e tecnologias modernas abrem novos horizontes para o setor de petróleo e gás no Brasil.

A avaliação é do presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), o prefeito de Macaé, no Estado do Rio, Dr. Aluízio, que vê o investimento imediato na Bacia de Campos como única forma de fomentar o mercado de trabalho e a economia regional. Recentemente ele lançou o movimento “#Bacia de Campos, é preciso investir”.

NA IMAGEM ACIMA O prefeito de Macaé, Dr. Aluízio, durante coletiva de imprensa no Centro de Convenções Jornalista Roberto Marinho, nesta quarta-feira (28/06) | Foto: Helinho Gomes

As perspectivas positivas, segundo ele, favorecem também a exploração nos poços maduros, localizados nesta região, com impacto positivo na economia dos municípios e do Estado. A produção paralisada em dezenas de poços poderá ser retomada por consórcios de empresas contratualizadas com a Petrobras. A iniciativa privada já demonstrou interesse de aproveitar a capacidade gerencial e de infraestrutura instalada na região nesta operação.

Os municípios da Bacia de Campos atravessam uma das piores crises econômicas em decorrência de uma conjunção de fatores, mas, sobretudo, devido à política de desinvestimento da Petrobras, que está priorizando a exploração na camada do pré-sal. Com isso, 84 plataformas estão com atividades interrompidas nesta região que já respondeu por 80% da produção nacional, mas que atualmente está pouco acima de 60%.

Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (28), Dr. Aluízio reafirmou que há o interesse das empresas privadas em explorar os poços com atividades paralisadas. Esses investidores já teriam como vantagem a capacidade instalada para manter a força de trabalho especializada em atividade. “Seria muito melhor aproveitar esta capacidade do que desmobilizar”, disse.

A iniciativa do setor privado se daria por meio de contratos com a Petrobras, o que não exige complexidade burocrática, por se tratar apenas de um contrato de risco entre a concessionária dos poços, no caso a Petrobras, e as empresas.

“Na Bacia de Campos tínhamos 100 sondas em operação, atualmente temos apenas 16. Esta retomada teria um impacto imediato na geração de empregos, que hoje é a pauta número um de todo o país”, disse. Segundo estudos, para cada R$ 1 bilhão investido na Bacia de Campos são 25 mil empregos gerados. Só Macaé já consuma um déficit de 40 mil empregos.

Durante a Feira Brasil Offshore, encerrada na semana passada, a Petrobras anunciou a intenção de instalar quatro novas plataformas na Bacia de Campos nos próximos anos.

A primeira será o FPSO Cidade de Campos de Goytacazes, destinada à produção de petróleo nos campos de Tartaruga Verde e Tartaruga Mestiça. Outras duas unidades irão operar no Campo de Marlim e a quarta na área do pré-sal na concessão de Albacora.

O gerente da área de Projetos Complementares da Bacia de Campos, Mauro Destri, destacou na ocasião que a revitalização do Campo de Marlim permitiria a estatal produzir nesta área até 2052. Essas novas plataformas só devem iniciar operação no prazo estimativo de quatro anos.

O projeto de revitalização de Marlim é uma das apostas da Petrobras para reduzir o declínio natural da produção na Bacia de Campos. “O declínio natural dos campos maduros é algo controlado e com a possibilidade até de regressão em alguns momentos, o que nos dá uma segurança de uma Bacia de Campos produzindo por muito mais tempo”, afirmou o gerente.

“Esta retomada tem que acontecer logo. Não dá para esperar quatro anos. A tecnologia nos permite extrair petróleo nesses poços maduros. Essas plataformas paralisadas, sem manutenção, elevam riscos de acidentes como os que foram registrados recentemente. Como o foco da Petrobras é o pré-sal, então se abre a oportunidade para esses consórcios de empresas dinamizarem toda a economia regional”, disse o prefeito.

O movimento pró investimento na Bacia tem apoio de prefeitos do Norte Fluminense, região metropolitana do Rio, Baixada Fluminense e da bancada de parlamentares do Estado.

“O petróleo ainda é o vetor da economia nacional e do Estado do Rio. A retomada da Bacia de Campos teria um peso enorme no enfrentamento da crise que afeta o Estado”, afirmou o prefeito.

Economista Ranulfo Vidigal
“Se as empresas privadas forem eficientes na exploração, fomentarão o mercado de trabalho, renda e estancarão a curva decrescente. Se o resultado fosse mediano, já estancariam a queda na produção”. (Economista Ranulfo Vidigal)

“ESTANCARIA O DECLÍNIO”, DIZ ECONOMISTA

Economista, com doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o articulista de VIU ONLINE Ranulfo Vidigal considera a ideia de retomada dos poços maduros por meio de contrato de risco entre iniciativa privada e Petrobras uma saída criativa.

A medida, segundo ele, permite duas conclusões: “Se as empresas privadas forem eficientes na exploração, fomentarão o mercado de trabalho, renda e irão estancar a curva decrescente. Se o resultado fosse mediano, já estancariam a queda na produção”, observa Vidigal.

O economista também concorda com os benefícios do aproveitamento da capacidade instalada das empresas e vê ainda outro horizonte: “O fluxo de renda interno proporcionado pela mão de obra ocupada. As cidades teriam um importante fomento na arrecadação própria”, disse.

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