10% dos brasileiros mais ricos concentram 3,4 vezes mais renda do que os 50% mais pobres; desde 2014 o continente de pobres no país cresceu 30%;

Nas democracias liberais, importantes demandas dos trabalhadores encontravam, ainda que de forma filtrada e rebaixada, expressão nas políticas públicas levadas a cabo pelos governos – conformando um pacto social – o mesmo não se pode dizer nos regimes democrático-liberais do capitalismo tardio brasileiro.

Somos uma sociedade de tradição escravagista, desigual e apartada, onde os ricos e as classes médias vivem cercadas de muros de todos os lados. Segundo dados da própria Receita Federal, os 10% mais ricos detém 3,4 vezes mais renda do que os 50 por cento mais pobres na escala de ganhos da sociedade brasileira. Com o aprofundamento da crise social, somente quinze por cento das famílias brasileiras declaram estar superavitárias no momento atual de conjuntura recessiva.

Segundo o IPEA (Instituto de Política Econômica Aplicada), desde o fim de 2014, o contingente de pobres cresceu quase 30 por cento incorporando quase 6 milhões ao estoque de miseráveis. Em 2016, a renda média do brasileiro caiu 6 por cento e dos extratos mais pobres, o dobro disso em decorrência do desemprego. Por outro lado, do contingente de endividados, a maioria o faz para comprar alimentos, remédios, combustíveis e vestuário.

Superar esse quadro requer mudar o modelo tributário, manter direitos, reforçar a função social do Estado, ampliar a democracia e a participação social. Diante da evolução no Congresso das “reformas”, a preocupação dos setores que comandam o jogo político parece se direcionar, na eleição de 2018, para o melhor figurino que evite saídas ditas populistas e assegure aos de cima a paz perpétua. Um desafio inconteste.

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