Com a compra e fusão de usinas, Shell e Odebrecht chegaram anunciar planos ambiciosos para o setor, mas no caminho surgiram o pré-sal e a Lava Jato;

Da redação | Especial Açúcar & Álcool 

O incentivo do governo Federal a produção de etanol em 2007 atraiu grandes empresas para o mercado de processamento de cana-de-açúcar.  Era o sonho do então presidente Lula de fazer do Brasil o maior produtor do mundo.

Um dos marcos desta investida foi a fusão entre a ETH Bioenergia, empresa de açúcar e álcool controlada pelo grupo Odebrecht, e a Brenco, empresa criada por um grupo de investidores, como Vinod Khosla, criador da Sun, e Steve Case, responsável pela AOL nos EUA.

NA IMAGEM ACIMA Unidade de Odebrecht Agroindustrial, a gigante de infraestrutura que também apostou no processamento de cana-de-açúcar

A fusão criou uma das maiores companhias de processamento de cana-de-açúcar no Brasil, com estimativa de capacidade para moagem de 37 milhões de toneladas e a produção de 3 bilhões de litros de álcool a partir da safra 2013/2014.

Criada em 2007, a ETH -presidida pelo ex-presidente da petroquímica Braskem- chegou a ter projetos para investimentos de R$ 6 bilhões. O objetivo do braço de açúcar e álcool do grupo Odebrecht era montar três polos de produção nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás. Um terço do capital da ETH é controlado por uma trading japonesa, a Sojitz.

A Brenco, empresa que enfrentou grandes dificuldades financeiras depois de se lançar num grande projeto de investimento, tinha planos para investir R$ 5,5 bilhões até o ano de 2015. A meta era construir 12 unidades de processamento de cana. Como a ETH, o plano da Brenco também era montar três polos de produção.

O PETRÓLEO na camada do pré-sal desviou o Brasil do sonho de se tornar o maior produtor de etanol do mundo

Na outra ponta, um acordo histórico marcou a união da Cosan e a petroleira Shell. A união formou uma companhia com força suficiente para ser uma grande consolidadora do setor. O negócio envolveu a junção da divisão de distribuição de combustíveis no mercado brasileiro.

Shell e Cosan (que assumiu a estrutura de distribuição da Esso) seriam responsáveis, sozinhas, por distribuir 3 bilhões de litros de álcool no mercado interno. A entrada dessas gigantes no setor gerou um efeito colateral. Aumentou a oferta de álcool no mercado. Com isso, os preços despencaram.

MUDANÇA DE CENÁRIO

A realidade começou a mudar com a descoberta do pre-sal. A partir daí, com incentivo do governo Federal, essas empresas voltaram a investir na prospecção de petróleo. Enquanto isso, os EUA avançaram plantando cana, milho e beterraba e dessas três matérias primas dinamizaram a produção interna. Com isso, eles sim, passaram a condição de maior produtor mundial. No meio do caminho, do lado de cá, surgiu a Lava Jato, abalando os alicerces financeiros da Odebrecht.

A soma de todos esses fatores abriram novos horizontes para as usinas do Norte Fluminense, que nesta safra de 2017. A produção nacional está menor, mas os preços ganharam fôlego. Agora as usinas esperam recuperar as perdas dos últimos anos em que enfrentaram a conjunção de seca, desvalorização de açúcar e álcool, além de queda na produção de matéria prima. Neste ano de 2017, o clima tem leves sinais de melhora, a oferta de matéria prima prometer ser bem melhor e o mercado promete bons negócios. Para as usinas do Norte Fluminense, o ambiente está favorável.

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