Os fatos policialescos recentes de nossa crise política não serão resolvidos por salvadores da pátria; pressão popular, com o povo nas ruas será a força motriz;

Historicamente tivemos a fase nomeada comercial do capitalismo (século XVI ao XVIII) seguida pela fase industrial (século XVIII ao final do XIX) sucedida pela fase do capital financeiro (final do século XIX até os nossos dias). Nesse contexto, à medida que foram aumentando as operações bancárias e se concentrando num número reduzido de estabelecimentos, os bancos converteram-se, de modestos intermediários que eram antes, em monopolistas onipotentes com grande poderio político. E dispõem de quase todo o capital do conjunto dos empresários e pequenos empreendedores, bem como da maior parte dos meios de produção e das fontes de matérias-primas de muitos países.

Nesta fase, durante esta última década e meia o modelo de desenvolvimento latino-americano aprofundou a sua inserção internacional dependente como provedor de matérias primas. Isto implicou numa maior vulnerabilidade dessas economias, subordinando-as às flutuações erráticas dos mercados globais.

Além disso, o impacto ambiental é inquestionável no âmbito do desmatamento e da contaminação e da deterioração da saúde pública nos territórios afetados. Semelhante também é o impacto na política, motivo pelo qual não é casualidade que em todos os países sul-americanos tenham sido identificados casos de corrupção vinculados à gestão de setores estratégicos e empresas extrativistas. Pratica-se um capitalismo de compadrio, onde estado, mercado e suas elites se interligam umbilicalmente.

Nesse quadro, o Brasil vive o dilema de um país de passado escravocrata, injusto e desigual. Dos quase 90 milhões de chefes de família ocupados, apenas 8 milhões possuem renda mensal acima de cinco mil reais mensais. Valor a partir da qual pode surgir alguma capacidade de poupança familiar mensal. O restante apenas sobrevive comprando itens de primeira necessidade, ou se endividando a juros escorchantes para comprar eletrodomésticos, viagens e um carrinho usado para ir a praia.

O capitalismo rentista brasileiro necessita reduzir direitos e praticar salários baixos para manter-se. Entretanto, diante do agravamento da crise política, a dupla Temer/Meireles não vai conseguir entregar o combinado, pois as reformas subiram no telhado literalmente. Portanto, que utilidades terão doravante. Nesse quadro, os agentes do tal mercado ajustam suas expectativas. Tal qual na Independência, na Proclamação dá República e outros momentos dramáticos de nossa história busca-se uma saída pactuada pelo alto, pelos de cima, com o povo apenas como expectador. Só o clamor popular muda esse rumo planejado pela elite.

Os fatos policialescos da cena politica recente comprovam que combater desvios com falso moralismo, messianismo e demagogia, ou acreditando num salvador da pátria bonapartista, de pouco vai adiantar. Sem trocar a estrutura carcomida do Estado, ou combater o poder da banca e do empresariado dependente da teta do dinheiro público, pouca chance teremos para resolver o dilema do tempo presente. Isso exige pressão popular e povo na rua.

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