“Prisão de EIke é uma questão de tempo”, diz um dos colaboradores nas investigações coordenadas pelo MPF |

Por Claudia Freitas 

A Procuradoria Geral da República no Paraná deflagrou nesta quinta-feira (22/9) a 34ª fase da Operação Lava Jato. Denominada de Arquivo X, a nova operação tem como alvo empresas e executivos envolvidos na contratação das plataformas P-67 e P-70 da Petrobras, além do ex-ministro da Fazenda,Guido Mantega.

No dia 13 de maio deste ano, o portal VIU ONLINE detalhou numa reportagem especial os depoimentos de fontes ligadas a Eike Batista e ao seu conglomerado de empresas denominado de Império X aos procuradores da Lava Jato, em fevereiro de 2016, revelando o esquema do consórcio Integra (OSX e Mendes Junior), responsável por inserir o então magnata do petróleo na lista de recebedores de propinas da Petrobras.

Os depoentes teriam dito ao MPF que os contratos com as multinacionais Veolia, da França, e Chemtec, subsidiária da Siemens da Alemanha, estariam superfaturados. As negociações estariam ligadas à construção de dois navios-plataforma P-67 e P-70 para as atividades do pré-sal na Bacia de Campos. As denúncias também chegam ao nome da empresa Tecna, que estaria ligada ao ex-ministro da Casa Civil no governo de Lula, José Dirceu. Veja os detalhes das negociações na reportagem.

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Desde a madrugada desta quinta (22/09), policiais federais estão cumprindo 33 mandados de busca e apreensão, oito de prisão temporária e mais oito de condução coercitiva (quando a pessoa é levada para prestar depoimento) em seis estados: Minas Gerais, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul. O ex-ministro Mantega e o empresário Francisco Corrales foram presos pelos agentes da PF em São Paulo, mas ainda nesta quinta-feira o juiz Sérgio Mendes relaxou o pedido de prisão do ex-ministro em função do estado de saúde de sua esposa, que está passando por tratamento de saúde em São Paulo.

AS REVELAÇÕES DO ARQUIVO X

Segundo as informações do MPF, no dia 26 de julho de 2012 o Consórcio Integra Ofsshore firmou com a estatal contrato no valor de US$ 922 milhões, para a construção das plataformas P-67 e P-70 (unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência de petróleo voltadas à exploração dos campos de pré-sal).

“As consorciadas, que não detinham tradição no mercado específico de construção e integração de plataformas, viabilizaram a contratação pela Estatal mediante o repasse de valores a pessoas ligadas a agentes públicos e políticos. O aprofundamento das investigações, por meio de oitiva de testemunhas e colaboradores, apreensão de documentos, afastamento de sigilos bancário, fiscal e telemático, assim como a análise da base de dados coletada ao longo das 33 fases anteriores da operação, revelou um estratagema criminoso que beneficiou agentes públicos em diferentes esferas”, afirmam os procuradores.

As investigações concluíram ainda que foram encontrados indícios de que cerca de R$ 7 milhões foram transferidos, entre fevereiro e dezembro de 2013, pela Mendes Júnior para um operador financeiro ligado a um partido político e à Diretoria Internacional da Petrobras, já condenado no âmbito da Operação Lava Jato.

Os repasses foram viabilizados mediante a interposição de empresa de fachada, que não possuía uma estrutura minimamente compatível com tais recebimentos. Foi identificado também um repasse de mais de R$ 6 milhões pelo Consórcio Integra com base em contrato ideologicamente falso firmado em 2013 com a Tecna/Isolux. O valor transferido seria para José Dirceu e a pessoas a ele relacionadas, de acordo com o MPF. A força tarefa constatou ainda que, no período dos fatos, empresas do grupo Tecna repassaram cerca de R$ 10 milhões à Credencial Construtora, já utilizada pelo ex-ministro-chefe da Casa Civil para o recebimento de vantagens indevidas.

Em depoimento no mês de novembro de 2012, Eike Batista, na condição de ex-presidente do Conselho de Administração da OSX, teria dito aos procuradores que recebeu pedido do ex-ministro e do então presidente do Conselho de Administração da Petrobras, para que fizesse um pagamento de R$ 5 milhões, no interesse do Partido dos Trabalhadores (PT).

“Para operacionalizar o repasse da quantia, o executivo da OSX foi procurado e firmou contrato ideologicamente falso com empresa ligada a publicitários já denunciados na Operação Lava Jato por disponibilizarem seus serviços para a lavagem de dinheiro oriundo de crimes. Após uma primeira tentativa frustrada de repasse em dezembro de 2012, em 19/04/2013 foi realizada transferência de US$ 2.350.000,00, no exterior, entre contas de Eike Batista e dos publicitários”, diz em nota o MPF.

Na coletiva de imprensa nesta quinta (22/09), o procurador da Lava Jato Carlos Fernando dos Santos Lima revelou os nomes dos publicitários Mônica Moura e João Santana, ex-marqueteiro do PT, presos na 23ª fase da Lava Jato.

Santos Lima disse que o fato dos repasses terem sido feitos a pedido de Mantega e executados pelo casal Santana representam indícios dos valores terem sido usados para pagar dívidas de campanha de 2010. Santana foi responsável pela campanha da presidente Dilma Rousseff (PT). “O pedido de Guido Mantega ocorreu em novembro de 2012. Este fato aconteceu enquanto Guido Mantega era presidente do Conselho de Administração da Petrobras e também pouco antes da liberação do primeiro pagamento de valores relativos a essas obras em plataformas. A liberação de valores foi em 29 de novembro. Essas coincidências é que ligam esse pagamento à Petrobras”, enfatizou o procurador.

“PRISÃO DE EIKE É QUESTÃO DE TEMPO”, DIZ COLABORADOR DA LAVA LATO

O economista Aurelio Valporto, vice-presidente da Associação de Investidores Minoritários do Brasil, um dos colaboradores na força tarefa da Lava Jato envolvendo as investigações de Eike Batista, afirmou nesta quinta-feira (22/9) que a prisão do ex-magnata é questão de tempo. “Eike não está sendo preso hoje [quinta-22]. Mas com isso [operação Arquivo X] o será em breve”, disse Valporto. Para o especialista, há indícios “claríssimos” de que, embora Eike negue o seu envolvimento com o esquema investigado na 34ª. fase da Lava Jato – “o dinheiro repassado por ele  era propina ligada às obras das plataformas p67 e P70”.

Valporto fez uma rápida análise das consequências imediatas da operação Arquivo X no mercado financeiro. “O impacto sobre a OSX é potencialmente danoso. A empresa pode vir a ser responsabilizada também. Por conta disso ela abriu em queda de quase 5℅ na Bolsa de Valores [se referindo ao movimento nesta quinta/22]”, avaliou o economista. Ele acredita que agora será difícil valorizar os papeis da empresa mediante às investigações do MPF. “Ninguém sabe ao certo o que pode surgir das diligências que estão sendo feitas na empresa. O potencial é explosivo e isso espanta os investidores”, explica Valporto.

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