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A nova invernada da Operação Ave de Fogo no Norte Fluminense, nesta quinta-feira, dia 28, esquentou o clima político. O deputado Washington Reis (PMDB), um dos alvos da operação reagiu acusando o ex-governador Anthony Garotinho e o ex-prefeito de São Fidélis Davi Loureiro.

Em entrevista ao jornal O Globo, Reis afirma que foi “surpreendido” pela ação da Polícia Federal e declarou:

— Meu advogado já pediu o inquérito, porque eu não conheço o assunto. Levaram alguns documentos, mas não encontraram nada, porque eu não tenho nada a ver com essa história. Isso é fruto do denuncismo dos meus adversários políticos. É coisa do (Anthony) Garotinho e do Davi Loureiro (ex-prefeito de São Fidélis e ex-secretário de Obras de Campos dos Goytacazes) — acusa.

Davi Loureiro retrucou por meio de uma carta divulgada na tarde desta sexta-feira, dia 29. Loureiro afirma que o parlamentar “quer politizar um caso de polícia” e diz que Reis deveria procurar a delegacia mais próxima para evitar maiores constrangimentos.

Segue abaixo a carta na íntegra.

É caso de polícia

*Davi Loureiro

Em face das acusações do deputado Washington Reis diante da Operação Ave de Fogo realizada pela Polícia Federal na cidade de São Fidélis, Campos dos Goytacazes e Rio de Janeiro nesta quinta-feira, dia 28 de agosto, venho a público esclarecer:

1- O trabalho da Polícia Federal, segundo notícias veiculadas pela imprensa, foi desencadeado para apurar fraudes em licitação e desvio de dinheiro público.

2 – Os mandados de busca e apreensão realizados na casa do deputado Washington Reis e demais suspeitos de envolvimento nesses atos de corrupção foram deliberados pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, segundo consta nessas mesmas reportagens.

3 – Em nenhum momento as denúncias que deram origem ao trabalho da Polícia Federal partiram da cidade São Fidélis, no Norte Fluminense. Ao contrário, elas têm origem em Conceição de Macabu, segundo a própria PF, onde estaria operando um núcleo criminoso especializado na prática de fraudes em licitações e desvios de dinheiro público, possivelmente com ramificações em outras cidades, até mesmo em São Fidelis, quem sabe?

Diante desses fatos, causa estupefação a declaração leviana do deputado na edição desta sexta-feira, dia 29, do Jornal O Globo envolvendo meu nome como suposto denunciante que deu origem a Operação policial.

Não resta outro caminho: eu e o deputado vamos nos encontrar nos tribunais. Washington Reis será processado.

Sou levado a acreditar que o parlamentar quer politizar um caso de polícia. Ele está sendo procurado é pela Polícia Federal e deveria procurar a delegacia mais próxima para prestar esclarecimentos, antes que passe por situações mais constrangedoras.

Tenho a vida limpa. Não me envolvo com prefeitos corruptos e muito menos com empreiteiros. A reação irresponsável e leviana do parlamentar faz lembrar um ditado da roça, que diz: “porco que entra na lama, quando sai, se balança para jogar lama nos outros”.  

Antes de acusar, portanto, Washington Reis precisa limpar a sujeira na qual se meteu.

Davi Loureiro

Ex-prefeito de São Fidélis

 

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Ave de foto

Operação Ave de Fogo: inquérito continua dando filhotes na Região

Conforme este blog antecipou em posts anteriores (Clique aqui e leia), o inquérito decorrente da Operação Ave de Fogo, realizada pela Polícia Federal, está rendendo filhotes. Iniciada em Conceição de Macabu em novembro do ano passado, as investigações encontraram fortes indícios de fraude em licitação.

Na época a prefeita era Lídia Mercedes (PT), a Tedi, que foi afastada do cargo pelo Tribunal Regional Eleitoral por crime eleitoral.

Nesta quinta-feira (28) os agentes da PF realizaram busca e apreensão na sede de uma empresa em São Fidélis e na casa de um dos proprietários.

Agentes também cumpriram mandado de busca e apreensão na casa do deputado Federal Washington Reis (PMDB), no Rio de Janeiro.

A suspeita é de que haja uma conexão criminosa para desvio de verbas públicas. O caso envolveria também o uso de emenda parlamentar. O inquérito foi desmembrado em duas partes. Uma está com a justiça Federal e o que refere ao possível envolvimento do deputado do PMDB foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Existem ainda outras linhas de investigação. A Polícia colheu novas informações e teria encontrado indícios de conexões criminosas em um município próximo a Macabu. Pelo visto, a Ave de Fogo está rastreando o dinheiro.

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dilma e garotinho

Dilma e Garotinho: almoço em Restaurante Popular no Rio de Janeiro | Foto: O Globo

Política exerce uma dinâmica incomparável. Aproxima ou distancia personagens, dependendo das circunstâncias. Se algum dia a presidente Dilma Rousseff subestimou o apoio do ex-governador Anthony Garotinho (PR) no Rio, hoje ela precisa muito dele.

Líder nas pesquisas de intenções de votos, Garotinho, no momento, é o melhor guia para reforçar a inserção de Dilma nas camadas populares do Estado e neutralizar o impacto do crescimento de Marina Silva (PSB) na classe média e entre os formadores de opinião.

Nesta quarta-feira (26), pela primeira vez, Dilma fez um ato de campanha com Garotinho no Rio. Eles almoçaram em um Restaurante Popular, um dos carros chefe da campanha do ex-governador.

Dilma precisa muito de Garotinho, assim como precisa de Pezão, Crivella e Lindbergh. Terá que dividir sua imagem com os três. O novo cenário faz do Rio de Janeiro um Estado chave na disputa sucessória.

Com pouco tempo no horário eleitoral gratuito, o ex-governador está compensando a desvantagem nas ruas. Dividiu a tarefa com a esposa Rosinha Garotinho, ex-governadora e atualmente prefeita de Campos dos Goytacazes. Garotinho percorre a Região Metropolitana e o Sul do Estado, Rosinha cuida do Norte, Noroeste Fluminense e Região dos Lagos.

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Protesto em Quissamã: servidores da saúde cobram promessas não cumpridas

Se existe uma cidade onde os efeitos das manifestações de junho do ano passado persistem, ela é Quissamã, no Norte Fluminense. É a cidade mais rica da zona produtora de petróleo da Bacia de Campos. Tem um orçamento de R$ 260 milhões para 20 mil habitantes, só que o dinheiro deste ano já acabou. O município está imerso em dívidas e indícios de corrupção.

A população reage. O prefeito Octávio Carneiro (PP) não pode sair às ruas, porque sua presença ostensiva desperta um festival de vaias. Os fornecedores não recebem, a saúde é péssima, a educação despenca e agora a Justiça recebeu uma denúncia do Ministério Público contra o festival de terceirizações milionárias. O MP, entre outras coisas, pede o bloqueio dos bens do prefeito.

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Octávio Carneiro reagindo a uma manifestação na cidade: ele agora não sai às ruas por medo de vaias

Ontem (26) servidores da secretaria de Saúde promoveram mais uma manifestação na porta da prefeitura. Carneiro, quando estava em campanha, em 2012, prometeu reduzir a carga horária da categoria. Não cumpriu. Promessas não cumpridas é uma praxe do governo que promete com certeza e falha com segurança.

Carneiro é o comandante-em-chefe da uma oligarquia decrépita. Levou para o seio do governo um grupo que representa o que há de pior numa administração pública. É a verdadeira sarjeta que chegou ao poder. Agora a justiça precisa acabar com a farra antes que este festim acabe com Quissamã.

Não será difícil pegar o pulo do gato. Nos indícios de desvios de verbas ou enriquecimento ilícito basta seguir o rastro do dinheiro que sempre aparece em viagens, carros e casas de luxo. Alguns “figurões”, há dois anos, viviam como pobretões e da noite para o dia assumiram hábitos dispendiosos e compraram brinquedinhos caros. Chegaram à cidade para trabalhar no risco e descobriram a porta da esperança. Com isso, o povo de Quissamã continua pobre e alguns gestores levando uma vida nababesca.

O histórico recente não é bom. Nesta cidade uma subsecretária foi presa por descumprir ordem judicial, uma subprocuradora também foi presa por suspeita de envolvimento no assassinato do ex-marido e uma secretária de governo condenada por peculato foi afastada das funções públicas por determinação da justiça. Isso não é tudo. Quissamã ainda tem fortes candidatos na disputa pelo troféu algema de ouro.

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Debate na Band: Oposição deixou Dilma à vontade

Vou precisar de mais alguns dias para me convencer que a candidatura de Marina Silva à presidência é mesmo competitiva e que sua proposta de terceira via tem condições de encantar o eleitorado.

Até aqui, mesmo com a última pesquisa do Ibope em que ela abre 10 pontos sobre Aécio Neves, ainda não consigo enxergar Marina em condições de derrotar a máquina petista.

No debate desta terça-feira na Band, a Marina que estava participando de um confronto de ideias com adversários era uma mulher apática, sem dinâmica no vídeo e pouco convincente. Por mais que haja uma inegável boa vontade da grande mídia com sua candidatura, ela não foi bem. Está muito distante da Marina que disputou à presidência pelo PV em 2010.

Já o tucano Aécio Neves tem uma boa presença de vídeo, é bem articulado na exposição de ideias, mas a expressão de sarcasmo diante dos comentários sobre o governo Dilma não agrada. Se por um lado Marina não convence, o candidato tucano passa pouca seriedade.

A presidente Dilma Rousseff saiu-se bem. Respondeu as provocações sem perder a compostura, falou com firmeza e não teve vergonha de assumir o perfil de gerentona. Neste primeiro confronto, Dilma levou a melhor.

A oposição deixou apenas a impressão de que pretende sair do nada para chegar a lugar nem um.

Tendências do voto

Gosto de trocar ideias com o economista Ranulfo Vidigal. É um estudioso do cenário político e econômico, com uma visão privilegiada sobre tendências de votos. Atualmente ele faz doutorado em políticas públicas e estratégicas pela Universidade Federal Fluminense.

Conversamos poucas horas antes do debate da Band desta terça-feira. Vidigal fez uma avaliação interessante sobre o comportamento da mídia brasileira diante do atual cenário econômico do país.

“Cristalizou-se uma visão equivocada de que a economia do país vai mal e na verdade, a economia vai bem. Os números estão aí: o país está com um bom nível de geração de empregos, a inflação está sob controle e ainda assim o governo Dilma é penalizado por um ambiente fabricado pelos noticiários”, disse.

Para o economista a onda favorece Marina Silva, cuja candidatura nasce de uma ruptura de uma ala do PMDB capitaneada por Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos, e uma ala descontente do PSDB. Num eventual segundo turno, a candidata será levada a buscar um acordão com os elementos da velha política que tanto repudia.

Sobre a disputa sucessória pelo governo do Rio, o economista avalia que esteja se desenhando um segundo turno entre o ex-governador Anthony Garotinho (PR ) e o atual governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Vale observar que esta mesma análise já foi feita pelo secretário de governo da prefeitura de Campos, Suledil Bernardino, outra figura com uma visão privilegiada do cenário político regional.

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A primeira pesquisa do Ibope sobre sucessão estadual após os primeiros impactos dos programas eleitorais e do debate da Band mostra que na disputa pelo governo do Rio, o ex-governador Anthony Garotinho (PR) colheu os melhores resultados.

Segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (26), ele lidera a disputa com 28% das intenções de voto. O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), que tenta a reeleição, aparece em segundo lugar, com 18%. Marcelo Crivella (PRB) recebeu 16% e Lindbergh Farias (PT), 12%. As informações são do Jornal O Globo.

Tarcísio Motta (PSOL) aparece com 3% das intenções de voto, enquanto Dayse Nunes (PSTU) e Ney (PCB) recebem 1%. Os votos em branco e nulos somam 15%. Outros 6% não souberam ou não opinaram em quem vão votar. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Na última pesquisa Ibope para o governo do Rio, de 30 de julho, Garotinho aparecia com 21%, Pezão com 15% e Lindbergh recebeu 11% das intenções de votos. Portanto, ele cresceu 7 pontos e Pezão subiu 3 pontos.

Aqueles que declararam o voto em branco e nulo somavam 21%. Os que não sabiam ou não quiseram dizer em quem votariam eram 12%.

O candidato do PR tem a maior rejeição entre os que disputam a corrida estadual. Ao todo, 35% dos entrevistados disseram que não votariam de jeito nenhum em Garotinho. No caso de Pezão, esse índice é de 20%. Lindbergh e Crivella têm a rejeição de 19% do eleitorado.

SIMULAÇÕES DE SEGUNDO TURNO

O instituto fez ainda três simulações de segundo turno. Num primeiro cenário, Garotinho aparece com 34% contra 33% de Crivella. Existe, portanto, um empate técnico. Os votos em branco e nulos somam 27%. Os entrevistados que não souberam ou não quiseram opinar são 5%.

Em outra simulação, o candidato do PR aparece com 38% das intenções de voto contra 31% do governador que tenta reeleição. Os votos em branco e nulo somam 25% e os que não souberam ou não opinaram são 5%.

Num terceiro cenário, Garotinho tem 37% das intenções de voto contra 29% de Lindbergh. Nessa simulação, os votos em branco e nulos somam 27% e os que não responderam ou não opinaram são 6%.

O Ibope ouviu 1.204 pessoas em 38 cidades entre os dias 23 e 25 de agosto. A pesquisa, encomendada pela TV Globo, está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) com o número RJ 00022/2014 e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob protocolo BR – 00418/2014.

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Em nova pesquisa do Ibope divulgada nesta terça-feira (26), a candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, aparece em segundo lugar com dez pontos de vantagem sobre o tucano Aécio Neves, que está em terceiro.

A presidente Dilma Rousseff (PT) lidera com 34% das intenções de voto. Treze dias depois da morte de Eduardo Campos, a sua sucessora tem 29%. Aécio soma 19%. As informações são do Jornal O Globo.

Na simulação de segundo turno, Marina venceria Dilma por 45% a 36%. Na disputa com o tucano, a petista sairia vitoriosa por 41% a 35%.

A pesquisa, contratada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e pela TV Globo, foi realizada entre os dias 23 e 26 deste mês e ouviu 2.506 eleitores. A margem de erro é de dois pontos percentuais. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o número BR-00428/2014.

Apesar de não ser possível fazer uma comparação direta, o cruzamento das intenções de voto com a última pesquisa realizada pelo Ibope, entre os dias 3 e 6 de agosto, ainda com Campos na disputa, permite concluir que Marina, além de absorver todos os simpatizantes do seu antecessor, ainda tirou votos de todos os demais principais adversários.

Marina tem menor rejeição

Dilma e Aécio perderam quatro pontos em relação. Os candidatos nanicos têm três pontos a manos. Com a ambientalista na disputa, o total de eleitores que votaria em branco ou nulo cai seis pontos. Já o total de indecisos é três pontos menor.

O levantamento divulgado nesta terça-feira ainda mostra que Marina tem a menor rejeição entre os principais candidatos: apenas 10%. Dilma tem 36%, enquanto 18% dos eleitores declaram não votar em Aécio de jeito nenhum.

Na pesquisa espontânea, em que o eleitor não tem acesso à relação de candidatos, Dilma lidera, com 27%. A candidata do PSB tem 18% e o tucano, 12%.

No dia 18, o Datafolha divulgou a primeira pesquisa com Marina no lugar de Campos. O levantamento mostrava Dilma com 36% das intenções de voto, Marina, com 21% e Aécio, com 20%. Na simulação de segundo turno, Marina aparecia numericamente à frente da petista, com vantagem de 47% a 43%.

*Fonte: O Globo

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Pasadena: lucro de US$ 73 milhões no primeiro semestre de 2014

Em meio a polêmica em torno da aquisição da refinaria de Pasadena, no Texas, e a possibilidade de um ex-diretor que está preso contar tudo (e mais um pouco) do que sabe por meio de deleção premiada, a Petrobras resolveu contra-atacar com informação.

A empresa divulgou informa afirmando que “a refinaria de Pasadena está em plena atividade, operando de forma rentável, com petróleo leve disponível nos Estados Unidos”.

“No primeiro semestre de 2014”, diz o informe, “a refinaria obteve lucro líquido de US$ 73 milhões”.

À época da aquisição dos 50% iniciais, em 2006, o negócio contemplava os investimentos a serem feitos para que a unidade refinasse óleo pesado.

Com a crise econômica nos EUA, em 2008, e consequente queda na demanda de derivados, as margens de refino caíram significativamente. Assim, por conta de uma crise econômica mundial, um negócio potencialmente bom transformou-se, na época, em um empreendimento com baixo retorno.

Outros dois fatores impactaram profundamente o negócio, segundo a Petrobras. A descoberta do pré-sal em 2007 e o crescimento da demanda de derivados no mercado brasileiro. “Dessa forma, os investimentos para adaptar a refinaria ao petróleo pesado perderam a prioridade, não só pela falta de rentabilidade decorrente da crise mundial, mas pela melhor oportunidade para processar esses óleos no Brasil”, diz o informe.

Enquanto isso…

Ex-diretores da Petrobras pedem ao plenário do Supremo Tribunal Federal que derrube o bloqueio dos seus bens, que estão pendurados em decorrência de uma decisão do Tribunal de Contas da União.

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calçadão de RO

Calçadão de Rio das Ostras: o luxo de Alcebíades Sabino esconde as mazelas nos bairros com vulnerabilidade social extrema

O caso de uma criança internada no Hospital Público de Macaé, no Norte Fluminense, com diagnóstico de meningite revela a face social de Rio das Ostras, uma cidade próxima, que por meio de uma campanha publicitária milionária vende a imagem de paraíso da Região dos Lagos.

A criança foi socorrida quando visitava parentes na Barra, bairro da periferia de Macaé. O caso foi monitorado por agentes do programa Estratégia da Família (antigo programa Saúde da Família) e encaminhado ao Hospital Público Municipal. Consta que graças ao socorro imediato em Macaé, o paciente está fora de perigo.

Mas o que o episódio revela e que a imprensa regional deu pouca importância, é a situação social da família deste paciente. Segundo relato do Conselho Tutelar, ela mora em um bairro pobre de Rio das Ostras, em situação de extrema vulnerabilidade social: casa insalubre, falta de estrutura sanitária e possivelmente desassistida pelo poder público.

É a imagem cruel de uma cidade rica, que torra milhões com eventos e com a construção de um calçadão de porcelanato à beira mar, mas que mantém um contingente de moradores segregados em bairros miseráveis.

Macaé, por ser uma cidade polo, é o ancoradouro desta população desassistida e absorve essas demandas em suas estatísticas. O paciente que sai de Rio das Ostras para morrer no Hospital Público de Macaé, por exemplo, entra para a estatística de óbito nesta cidade e não no município de origem.

Rio das Ostras vende ilusão. Faz de uma rodovia que funciona como corredor para cidades da Região dos Lagos um verdadeiro brinco, e por outro lado esconde as comunidades de bairros mais afastados como se tentasse ocultar um “lixo humano”.

A comunidade que vive o drama percebe. Os moradores costumam dizer que a cidade “por fora é bela viola e por dentro um pão bolorento”.

O prefeito Alcebíades Sabino (PSC) já administrou Rio das Ostras em outras duas ocasiões e voltou à prefeitura em 2012, depois de costurar um acordo com o antecessor Carlos Augusto Balthazar (PMDB), que no pleito anterior, de 2008, lhe impôs uma derrota humilhante.

Foi em uma de suas administrações que Sabino torrou dinheiro público na construção do calçadão de porcelanato, maior símbolo de desperdício de royalties do petróleo. É um autêntico representante da velha política regional que corre um sério risco de ser varrido das urnas pelo clamor de mudanças.

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Capa da revista VIU!, edição de março de 2014: especialistas explicam o fenômeno climático que provoca escassez de chuvas no Brasil. CLIQUE AQUI E LEIA

Boa reportagem de Cleide Carvalho em O Globo sobre a seca que afeta as seis das principais bacias hidrográficas do país. A situação é alarmante e já desperta uma disputa entre Estados pelo controle e manejo da água.

Em sua edição de março deste ano, a revista VIU! publicou uma boa reportagem de capa sobre o assunto, com depoimentos de vários especialistas em climatologia.

Na reportagem eles explicam as razões deste impacto climático e alertam que a tendência é de que em 2014 e 2015 os brasileiros continuarão enfrentando escassez de chuvas. As projeções só apontavam para chegada de chuvas a partir de 2016, o que vai se confirmando. Até lá as chuvas deverão ser esporádicas e insuficientes para encher os reservatórios. Clique aqui e leia a reportagem da VIU!, edição de março deste ano.

Leia abaixo a reportagem de O Globo:

Seca ameaça 40 milhões de pessoas que dependem de seis bacias hidrográficas

*Por Cleide Carvalho

A seca na Região Sudeste não esvazia apenas os reservatórios paulistas. Um levantamento feito pela Agência Nacional de Águas (ANA) a pedido do GLOBO mostra que seis das principais bacias hidrográficas brasileiras enfrentam problemas, ameaçando moradores de nove estados e do Distrito Federal.

São cerca de 40 milhões de pessoas afetadas — o equivalente a 20% da população brasileira. Os principais rios atingidos têm, em comum, a dependência das chuvas que caem em Minas Gerais, estado que é uma espécie de divisor das águas que correm pelo Brasil.

Os rios São Francisco, Grande, Doce, Paraíba do Sul, Paraná e Jequitinhonha enfrentam problemas em maior ou menor grau. Em geral, chove cerca de 1.400 milímetros na Região Sudeste durante o ano hidrológico, que termina em setembro. Até agora, choveu metade disso. Segundo dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, em inglês), as chuvas que caíram no Brasil foram 20% menores do que a média. No Sul de Minas e no Oeste paulista, choveu 60% menos.

— A seca fez com que São Paulo ficasse em uma situação semelhante à do Nordeste — resume o professor Augusto José Pereira Filho, do Departamento de Ciências Atmosféricas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo.

Se a seca transforma cenários em São Paulo, piora ainda mais a situação do Rio São Francisco, o principal do Nordeste. Com nascentes na Serra da Canastra, em Minas, o Velho Chico já não chega ao mar. A água salgada adentra 25 km de seu leito e, a 85 km de sua foz, entre Alagoas e Sergipe, já se pesca peixe do mar, algo comum apenas nas áreas mais próximas ao oceano.

— O rio está ficando fraco, e o mar, mais forte. Não sabemos até quando o rio vai aguentar — diz Maria Izaltina Silva Santos, líder da comunidade de Brejão dos Negros (SE), que vive da pesca e da cultura de arroz no Baixo São Francisco, último trecho do rio, após as barragens de hidrelétricas.

No Rio Grande, a vazão de água em julho foi de 33 metros cúbicos por segundo, a pior em 84 anos. No Paraíba do Sul, seu maior reservatório, o de Paraibuna, baixou a 12,23% de sua capacidade, levando à redução de 5 mil litros por segundo na vazão de água que chega à barragem de Santa Cecília, onde é feita a transposição para o Rio de Janeiro. O Rio Doce, que em dezembro transbordou e causou enchentes no Espírito Santo, baixou drasticamente nos últimos meses: em locais onde o nível de água ultrapassou nove metros, hoje ela não passa de dois metros. O Rio Paraná, por sua vez, baixou a ponto de interromper o transporte por hidrovia.

Mas são as águas do Velho Chico que refletem conflitos comuns a vários setores no Brasil: uma mistura de política, grandes negócios e uma população ainda impotente diante de seu futuro.

No Brejão dos Negros, a água salobra é realidade, mas até a altura de Penedo (AL), a 40 km da foz, a cunha salina se faz presente. No assentamento Borda da Mata, 85 km rio adentro, já há siris. Os peixes de rio estão menores e mais raros. Boa parte desapareceu. Não há mais surubim, piaba ou mandim. Em trechos do rio onde a profundidade chegava a 15 metros, agora é possível cruzar a pé.

Em 2006, um estudo da Universidade Federal de Alagoas detectou intrusão salina numa distância de 6 km da foz do São Francisco. Na época, a vazão média no Baixo São Francisco era de 2.041 metros cúbicos por segundo, quase o dobro da atual. Este ano, com a seca, a vazão na barragem de Sobradinho foi reduzida, para 1.100 metros cúbicos por segundo, 15% menor do que a mínima estabelecida pelo Ibama, de 1.300 metros cúbicos por segundo.

No projeto Jaíba, no norte de Minas Gerais, o maior projeto de irrigação do país, o clima é de intranquilidade.

— Quando a vazão foi reduzida no reservatório de Três Marias, a orientação foi não aumentar os plantios. A vazão do rio aqui está em 190 metros cúbicos por segundo, menos da metade do normal. Nunca aconteceu isso nesta área. É diferente e assustador — diz Marcos Medrado, gerente da etapa 1 do projeto Jaíba, que reúne cerca de 1.800 pequenos agricultores, responsáveis por cerca da metade da produção de sementes de hortifrútis do país.

— Temos uma seca de gestão. Há aumento desordenado de demandas hídricas, uma festa de outorgas. Temos uso excessivo, desperdício e até contaminação por agrotóxico. Falta cuidado da União e dos estados nas ações de recuperação hidroambiental — diz Luiz Alberto Rodrigues Dourado, do Comitê da Bacia do Rio São Francisco.