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A cidade de Carapebus, assim como Quissamã, ambas no Norte Fluminense, nasceu da espinha de Macaé, cidade produtora de petróleo. Era um distrito que se aventurou a buscar emancipação motivada pelos royalties, sua principal fonte de arrecadação.

Nos primórdios de sua emancipação conseguiu galgar bons indicadores sociais e econômicos. Nos últimos oito anos, no entanto, o município entrou em uma rota de decadência social e econômica, enquanto a classe política local passou a ostentar sinais exteriores de riqueza.

Em outubro deste ano, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União entraram na prefeitura em busca de processos com indícios de fraude na saúde. Foi a Operação Marco Zero. A operação encontrou o que procurava e um pouco mais, de forma que promoveu uma segunda investida, desta vez, buscando elementos de convicção sobre fraudes em licitação em obras públicas.

As suspeitas envolvem obras do Programa Somando Forças e empresas já investigadas na Operação Ave de Fogo, iniciada em Conceição de Macabu e que teve desdobramentos em São Fidélis.

Além de visitar a prefeitura, os agentes da PF, desta vez, também chegaram à sede do Jornal O Debate, em Macaé, suspeito de integrar a organização fraudulenta burlando a publicação de editais. O jornal atua como órgão oficial do município.

As supostas fraudes no município podem chegar a mais de R$ 50 milhões. Próxima a Carapebus está localizada a cidade de Quissamã, que também está sob investigação do Ministério Público e da Justiça por suspeita de fraude em contratação de ambulâncias na Secretaria de Saúde. Nos últimos dias a secretaria de Saúde desta cidade voltou a promover um festival de dispensa de licitação para compras de insumos. Uma afronta à legislação e uma uma certeza de impunidade.

Em meio a tantas operações policiais e prisões de agentes públicos, impressiona o destemor dos gestores de Quissamã. Alguns chegam a insinuar a existência de uma blindagem em órgãos de controle externo motivada por relações de compadrios e amizades confabuladas em mesa de botequim.  Pode ser a gabolice característica da sarjeta que escala um degrau e passa a expressar prestígio imaginário, mas é um caso que merece ser observado.

Caso as autoridades mantenham o ímpeto contra a corrupção, é possível que gestores desses dois municípios que nasceram de um mesmo território venham a dividir as mesmas celas em uma eventual ação coercitiva da justiça. Já passou da hora.

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Haddad pedala

Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad: uma cruzada para incluir a bicicleta como meio de mobilidade urbana

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) engajou-se na campanha pelo uso da bicicleta como meio de mobilidade urbana. Para incentivar a população paulista, em setembro deste ano, por ocasião da comemoração do Dia Mundial Sem Carro, ele fez o percurso entre sua casa e a sede da prefeitura numa bike.

Haddad tem uma proposta mais radical. Ele quer redução de tributos para fabricação de bicicletas. Seria um propulsor no barateamento no custo final do equipamento, com reflexos no comércio.

São Paulo é uma das maiores metrópoles do mundo. Engarrafamentos e saturação do transporte de massa é um drama frequente para o paulistano. Contudo, brasileiro gosta de exibir carro como brinquedinho de luxo. Há que deixe de comprar moradia, pagar escola para o filho e até comida para manter a prestação do automóvel, mesmo que os preços do carro praticado no Brasil seja um dos mais caros do mundo, como já demonstrou uma reportagem da revista The Economist.

aluizio bike

Macaé-RJ: O prefeito Dr. Aluízio pedalando um percurso entre sua casa e a prefeitura

Haddad tem demonstrado uma visão moderna no quesito de planejamento urbano, porque o uso da bike, nas principais cidades do mundo, é um elemento cada vez mais integrado ao sistema de mobilidade. Sua atuação não tem se focado apenas na promoção das bicicletas. A prefeitura de São Paulo atua com criação de novas faixas para pedestres, construção de ciclovias e outras iniciativas desfocando o automóvel como principal ator na ocupação da cidade.

No Estado do Rio de Janeiro, justiça seja feita, o secretário estadual de Transporte, Júlio Lopes, é um pioneiro no incentivo ao uso da bicicleta. Começou sua cruzada antes de Haddad e conseguiu sensibilizar o então governador Sérgio Cabral, que chegou a conhecer o sistema em Paris.

Esta semana, na cidade de Macaé, no Norte Fluminense, o prefeito Dr. Aluízio (PV) apareceu em uma foto na rede social embarcado numa bike. A imagem se tornou viral depois que foi postada na página de um internauta. Aluízio, na ocasião, saia de casa com destino a prefeitura.

Pode ser a primeira pedalada na busca por um trânsito mais humanizado e menos caótico na cidade que serve para exploração de petróleo na Bacia de Campos.  Na verdade, pedalar uma bike – seja em Macaé, São Paulo, Nova Iorque ou Paris – é politicamente correto e nunca esteve tão na moda. E agora, como apedrejar um prefeito porque ele anda de bicicleta? Seja marketing ou intenção de continuar pedalando uma bike, Aluízio, assim como Haddad, marcou um gol de placa.

*Texto de Roberto Barbosa, também publicado no portal VIU ONLINE

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dilma eleita

Dilma: 40% de aprovação, segundo o Ibope

O Ibope divulgou ontem (16/12) pesquisa pontuando 40% de aprovação para o governo Dilma Rousseff. De acordo com o Instituto, 32% dos eleitores classificam o governo como regular; 27% definiu a administração como ruim ou péssimo e 1% não sabe ou não respondeu.

A pesquisa foi encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e realizada entre os dias 5 e 8 de dezembro. Foram ouvidas 2.002 pessoas em 142 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Vitória nas urnas

Dilma foi reeleita este ano, somando 51,4% contra 48,5% do oponente Aécio Neves (PSDB). No primeiro turno, Dilma teve 43.267.668 votos, o que representa 41,59% dos votos válidos. Ela permanece como chefe de Estado até 2018.

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No inquérito que apura as traficâncias na Petrobras, leia-se Operação Lava Jato, um nome passa no vácuo da sonolência da mídia no Norte Fluminense. É a empresa MPE Equipamentos. Esta empresa é uma das investigas por suspeita de integrar um cartel de empreiteiras para fraudar licitações na estatal, que estão no núcleo das investigações do Ministério Público Federal (MPF) de Curitiba.

A pergunta que não cala: a MPE Equipamentos não seria um braço do Grupo MPE que já foi dono da Fábrica de Sucos Bela Joana – localizada na divisa entre Campos e São Fidélis? Em caso positivo, é digna de uma boa reportagem, até porque alguns de seus diretores desfilam como mecenas de boas ações pelo Norte Fluminense.

A Operação Lava Jato está dando pano para manga. O Ministério Público Federal já denunciou 25 executivos e funcionários de menor escalão de seis empresas: Galvão Engenharia, Camargo Corrêa, OAS, UTC, Mendes Junior e Engevix, todas envolvidas no esquema de corrupção. Essas seis empreiteiras são acusadas de desviar pelo menos R$ 1,186 bilhão de obras da Petrobras para o esquema de propinas distribuídas a agentes públicos e políticos do PP, PMDB e PT.

Mas tudo indica que o caminho é mais longo. Tem mais gente para cair na rede. Como dizia o jornalista Davi Nasser, “falta alguém em Nuremberg”.

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*Por Sérgio Escovedo 

ALFREDO HERKENHOFF foi um dos maiores amigos que tive na imprensa carioca. Eu o conheci em 1977, quando eu passei a editor do Segundo Caderno, na Última Hora, no lugar de Roberto Moura, que tinha se desentendido com Mauritônio Meira – o editor chefe, ou com o dono do jornal, cujo nome prefiro não lembrar -(ele foi dono de O Dia), anos depois, numa transação que nunca foi bem explicada, como tudo que acontece nos bastidores da Imprensa – desde o golpe dado por Chagas Freitas em Ademar de Barros, uma verdadeira aula de safadeza capitalista, uma pérola de sordidez.

Quem quiser escrever um bom livro e não tiver medo de ser apedrejado, escolha o tema Donos de Jornais no século XX. Dá para fazer um enciclopédia de golpes sujos, cujos efeitos sentimos até hoje). Voltando ao tema, Alfredo teria seus 23 anos e pouca experiência em jornais. Mas eu vi nele e no seu texto os melhores sinais da genialidade no jornalismo de então. Tornou-se logo o melhor repórter do Caderno, texto impecável, curiosidade, inteligência, criatividade. Eu era um pouco mais velho, ia fazer 29 anos e poucos sabiam que voltara um ano antes do exílio: fugi em 1974, depois de ser preso em Brasília, junto com minha “companheira” e me orgulho de dizer que salvei sua vida. Ela foi uma das mulheres mais duramente torturadas pelo Exército em Brasília e poderia ser presa de novo a qualquer momento.

Eu consegui passaporte para ela (e para mim, claro) e enganamos os órgãos de segurança, com um esquema que incluiu suborno, sorte e uma boa ajuda do Partidão. Fomos para Caracas, porque o Chile tinha sido tomado por Pinochet. Depois eu segui para a Europa e ela seguiu sua vida. Ao chegar ao Brasil, em 1976,eu já não era comunista e me limitei a ajudar gente de esquerda em situação crítica.

Trabalhar no Última Hora era um desafio porque tínhamos grandes concorrentes e nossa estrutura era pequena. Para mim, no íntimo, era uma maneira de exercer uma profissão, pois sempre achei o jornalismo uma atividade de segunda classe.

Como aprendera nos meus livros de marxismo, o jornalista é apenas um agente do poder – e o poder estava muito aquém de nossas possibilidades. Mas lembro com saudade e alegria da garra com que trabalhávamos, das oportunidades sem conta de conhecer pessoas maravilhosas e dos colegas. Além do Alfredo, a Vera Curi, o Nelson Hoineff e outros que não quero lembrar. (CONTINUA)

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*Por Sérgio Escovedo

EU COMECEI a lembrar dos tempos da Última Hora falando de Alfredo porque outro dia nos desentendemos. Eu fiz uma piada boba sugerindo que ele escrevesse um livro chamado “Crônicas de um Jornalista Bêbado”. Eu não quis ofendê-lo, mas ele entendeu a coisa ao pé da letra (vício de jornalista, suponho) e eu teria um certo orgulho de dizer que eu fui um jornalista bêbado por bastante tempo.

No trabalho, era racional e supercompetente, mas fora dele bebia muito e olhava o mundo com três doses acima,se é que vocês me entendem. Sou, é claro, da geração das drogas, da bossa nova e de todas as experiências sensoriais, comportamentais e existenciais.

Minha base cultural é a filosofia, não a comunicação social. Aos 16 anos já conhecia Voltaire, Diderot e Marx. Li Nietzsche em edições francesas,que comprava no sebo da São José. Ganhei de presente, em 1973, a primeira edição francesa do Y King (é assim que se deve escrever, mas isso não tem importância.

O nome do livro é simplesmente I – o que significa Mutações – o King significa somente tratado ou livro, assim como a Divina Comédia não é divina nem comédia. Foi chamada de Comédia porque foi escrita em italiano ( e não em latim) e não tinha um conteúdo trágico. “Divina” foi uma invenção de Boccaccio, autor do Decamerão – que se inspirou na literatura indiana de quase dez séculos antes. Nietzsche me ensinou que para ter sabedoria é preciso ir às fontes.

Conheço tanto a poesia árabe quanto a Torah ou a obra completa de Balzac e Musil – que considero injustiçado pelos intelectuais brasileiros. Não quero ser um esnobe, mas como me empenhei em ser um poeta vagabundo, achei que deveria ler pelo menos uns 5 mil livros – para ter uma base de julgamento do que se produziu em três mil anos de cultura literária. Manguel – que leu muito mais do que eu e foi leitor de Borges em Buenos Aires – me daria razão. Se não fosse um jornalista que trabalhava à tarde e não pensava em dinheiro, certamente não teria lido tanto, mas agora é tarde. (CONTNUA)

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*Por Pedro Ekman | Via Carta Capital

bispo macedo

Bispo Edir Macedo: líder da Igreja Universal do Reino de Deus é o novo campeão de arrendamento de horários nas emissoras de TV

A história é muito simples: uma empresa participa de uma licitação pública para explorar comercialmente um canal de TV (ou de rádio) e oferecer programação de conteúdos para a população. Para isso, existem pelo menos duas regras para se explorar comercialmente esse espaço público na TV e no rádio.

A primeira regra diz que a empresa vencedora da licitação tem que se responsabilizar pela programação de conteúdo, prestando o serviço diretamente, sem terceirizar a função principal do contrato. A segunda determina que a empresa vencedora da licitação pode vender no máximo 25% da sua programação a terceiros para obter retorno financeiro durante a vigência do mesmo contrato.

No entanto, não é exatamente isso que acontece no Brasil. Apesar do regramento, a empresa que ganha a licitação muitas vezes vende o canal para uma igreja que não participou da concorrência. Você pode até se perguntar: e o Governo não fiscaliza?  Deveria! Mas, segundo o ministro Paulo Bernardo, titular da pasta das Comunicações, o debate “é delicado”. “Envolve uma série de interesses das televisões em ter receita, das igrejas em fazer a sua pregação, de conquistar o seu público”, disse em recente entrevista ao grupo Folha.

Para Bernardo, do ponto de vista formal, não existe legislação sobre isso. “Tem um pessoal do Ministério Público Federal lá em São Paulo que está dizendo o seguinte, que vai processar o Ministério das Comunicações por omissão. Omissão em que? Você não faz uma lei, não tem uma legalidade instituindo se isso é correto ou incorreto e eu sou omisso em que? Por que se tiver proibição, então omisso está sendo o Ministério Público que deveria tomar uma providência e entrar com ação contra. Por que não entrou? Porque não tem base legal para isso. Então é o seguinte, eu não quero entrar nesse debate”, complementou.

Certamente o ministro Bernardo conhece o art. 124 Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei nº 4.117/62) e o art. 28, §12, “d”, do Decreto Presidencial nº 52.795/63. A legislação determina que o tempo destinado à publicidade comercial não poderá exceder 25% da programação. O ministro também sabe que nenhuma transferência, direta ou indireta, de concessão pode ser feita sem a sua assinatura pessoal, pois é isso que está definido nos artigos 90 e 94 do mesmo decreto.

Parece óbvia a omissão do Ministério das Comunicações, responsável por estes regramentos.  A existência de leis e regulamentos sobre o assunto contradizem as justificativas dadas pelo ministro Paulo Bernardo. Em virtude disto, o Ministério Público Federal de São Paulo entrou com três ações contra arrendamentos ilegais. Foram acionados na Justiça o grupo de TV CNT e o Canal 21 do grupo Bandeirantes pelo arrendamento ilegal de 22 horas diárias das suas programações para a Igreja Universal do Reino de Deus.

A Rádio Vida FM também responderá na Justiça por arrendar toda a sua programação para a Comunidade Cristã Paz e Vida. Nos três processos, o Governo Federal responde por se omitir a cumprir suas obrigações.

As ações pedem que os serviços de radiodifusão dos três canais sejam suspensos imediatamente.  Solicitam, ainda, o impedimento temporário das empresas e instituições religiosas citadas e de seus representantes legais de participar em concorrências públicas, além do congelamento dos de seus bens. Também deve ser paga à União uma série de indenizações por dano moral difuso. A Igreja Universal e CNT devem pagar aos cofres públicos R$ 280 milhões; o grupo Bandeirante e a Igreja Universal, outros R$ 420 milhões; e a Rádio Vida FM e Comunidade Cristã Paz e Vida, mais R$ 20,8 milhões.

É importante frisar a atuação do Fórum Interinstitucional pelo Direito à Comunicação (Findac), grupo ligado ao Ministério Público Federal de São Paulo, cujo trabalho resultou nas ações civis públicas aqui citadas. O Findac conta com a participação de organizações da sociedade civil como o Intervozes, Artigo 19 e Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

A presidenta Dilma Rousseff ventilou a possibilidade de debater uma agenda de regulação econômica para o mercado de comunicação brasileiro, o que faria avançar de forma significativa o processo de democratização da comunicação no país.  Essa sinalização é importante, mas é preciso que as fiscalizações básicas sejam cumpridas pelo Ministério das Comunicações. Para isto, não precisa mais que o simples respeito ao interesse público.

* Pedro Ekman é integrante da coordenação do Intervozes.

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dick nyt

Dick Stevenson é redator-chefe da edição internacional do New York Times

Entrevista de Dick Stevenson, redator-chefe da edição internacional do New York Times, a Antoine Flandrin, do Le Monde. Ele fala das mudanças impostas pela era digital. É um novo tempo que põe a mídia tradicional em pânico. Apesar de seus quase 900 mil assinantes, o NYT deve demitir cerca de cem jornalistas e novos prejuízos foram anunciados para o fim do ano.

Alguns estudos anunciam a morte do impresso nos EUA para 2017. Neste novo cenário de transição emerge uma constatação: o conteúdo continua fazendo a diferença. Para sobreviver comercialmente na selva virtual será preciso ter um bom conteúdo. Portanto, o bom jornalismo vale ouro.

ENTREVISTA | Dick Stevenson

Le Monde: Alguns estudos anunciam o fim do jornal impresso para 2017 nos Estados Unidos. O que o senhor acha disso?

Dick Stevenson: O que mudou foi o fato de que aceitamos que o papel não é mais a única plataforma para divulgar nossas informações e interagir com nossos leitores. É uma mudança profunda. Nossa redação mais ou menos se adaptou a ela e, até o momento, conseguimos criar um modelo econômico que permita fazer jornalismo de qualidade sem ter de sacrificar o que quer que seja de fundamental.

Dito isso, não estamos a salvo das duras realidades econômicas da imprensa. Devemos acompanhar muito de perto as mudanças tecnológicas, a evolução dos hábitos dos leitores, as mudanças macroeconômicas e a maneira como evolui a interação com nossos leitores. Não estamos travessando uma ponte que ligaria o mundo do papel com o mundo digital. Não estamos no começo de uma viagem que teria um ponto de chegada. Essa é uma viagem sem fim.

Le Monde: O senhor acredita que consegue manter o nível de circulação de seu jornal em papel?

Stevenson: Devemos fazer de tudo diante da diminuição da circulação do jornal em papel. A questão é: em que velocidade? Nossa circulação se manteve em um nível bastante estável (-7% em comparação com o ano passado para a edição de segunda a sexta-feira, -3% para a edição de domingo) e, apesar de um clima econômico incerto, a publicidade se manteve bem (-9% no terceiro trimestre de 2014 para a edição em papel).

A grande questão, é claro, é como criar um leitorado mundial, mas sobretudo um leitorado mundial de assinantes digitais dispostos a pagar pela versão digital do “New York Times”.

Le Monde: Justamente, o número de seus assinantes digitais aumentou, ultrapassando os 870 mil…

Stevenson: Sim, o crescimento dos assinantes digitais está estável, inclusive fora dos Estados Unidos. Atualmente, cerca de 30% do tráfego pelo nosso website vem de fora dos Estados Unidos. Gostaríamos de aumentar a porcentagem de assinantes digitais fora dos Estados Unidos, que é menos de 30%. Nosso principal alvo são os novos leitores. Será preciso conseguir levá-los à homepage de nosso site, mas também utilizar as plataformas que estão à nossa disposição para construir uma audiência internacional. O Facebook e o Twitter são as ferramentas mais óbvias, mas existem outras: o YouTube e o Flipboard podem ser meios para dar visibilidade a nossos conteúdos.

Le Monde: Em maio de 2014, o “New York Times” publicou um relatório interno que ressaltava que os esforços da redação eram insuficientes no que diz respeito ao enriquecimento e à promoção dos conteúdos. Quais foram as medidas tomadas para conter esse fenômeno?

Stevenson: A arquitetura de nosso site foi totalmente repensada. Agora temos artigos nos quais se encontram mais fotos, portfólios, infográficos, material explicativo. Uma maneira muito eficaz de aumentar nosso tráfego é garantir que dentro de cada artigo haja um link que remeta a um ou vários conteúdos que tratem do mesmo assunto. São esses pequenos detalhes que fazem a diferença.

Recentemente, lançamos o “Watching”, uma ferramenta de monitoramento de informação em tempo real. Ela ainda não aparece sob forma de artigo, ainda não foi desenvolvida. E pode ser que nunca seja. Pode ser uma informação interessante que só pegamos de outro lugar. Como a homepage de nosso site se tornou menos importante desde que os leitores migraram para as plataformas dos smartphones, aplicativos e mídias sociais, a ideia é lhes dar uma razão extra para irem com mais frequência à nossa homepage.

Também lançamos o “First Draft”, uma newsletter política destinada aos leitores que consomem notícias desde o início do dia nos Estados Unidos. Não há mais necessidade de procurar a notícia em um motor de busca ou em um aplicativo. Tudo que você quer saber sobre política americana está nessa newsletter sob forma de vídeo ou texto.

Por fim, criamos o “Cooking”, um aplicativo disponível para laptop ou tablet. Ali você pode encontrar conteúdo de qualidade que não é produzido por nossos jornalistas, mas que provém de uma base de dados de receitas gastronômicas criadas pelos melhores chefs de cozinha do mundo.

Le Monde: O relatório interno insistia na dificuldade do jornal em mudar para um modelo centrado no digital. Quais medidas vocês tomaram para remediar essa situação?

Stevenson: Esse relatório nos ajudou muito, mas ele é um obstáculo para a flexibilidade e a rapidez. Nós precisamos de um novo princípio de organização, para que os editores fiquem de olho constantemente nas notícias do dia. O ciclo do jornal em papel que começa pela manhã e termina à noite casa com nosso modo de vida, mas ele tem um inconveniente: ele se concentra demais no fim do dia, e não o suficiente no que acontece ao longo do dia. Acho que fizemos progressos consideráveis para mudar essa cultura. Prova disso é que nossos jornalistas entenderam que a consagração suprema não é necessariamente ter seu artigo na primeira página do maior jornal dos Estados Unidos!

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o debate

Página 5 dos classificados do Jornal O Debate. Observe o trecho marca nas cores verde, que esta página não traz a publicação de editais de licitação da prefeitura de Carapebus. Foi uma das edições que circularam nas ruas

As evidências encontradas pela Polícia Federal sobre fraudes em licitações na cidade de Carapebus, no Norte Fluminense, durante a Operação Marco Zero, demonstra a necessidade de maior fiscalização dos órgãos de controle externo sobre a utilização de jornais comerciais para publicidade de atos oficiais.

A PF já tem provas documentais de que o jornal O Debate, com sede em Macaé, foi usado sistematicamente, ao longo dos últimos anos, para fraudar as publicações em Carapebus.

O jornal, segundo as investigações, atuava da seguinte maneira:

Soltava a edição normal, sem os editais de licitação da prefeitura na página 5 – como demonstram as duas páginas de uma mesma publicação que estão no inquérito e ilustram este post -, e outra edição similar (com a mesma data e conteúdo editorial),  que ficava apenas na prefeitura e na redação do matutino para prestação de contas. Apenas esta edição publicava os editais.

o debate 1

A mesma página 5, da mesma edição que circulou nas ruas e foi marcada, traz os editais de licitação. Só que esta página ficou apenas na prefeitura e na redação de O Debate para efeitos de prestação de contas aos Órgãos de Controle Externo. É o que na gíria se chama “batom na cueca”

Portanto, na edição que circulava nas ruas estava apenas o conteúdo normal do jornal, como classificados e noticiários, enquanto que em uma página da edição restrita estavam os editais de licitação.

Foram recolhidos centenas de jornais que comprovam a prática continuada de procedimentos para burlar a legislação em vigor.

Está caracterizado que um grupo de pessoas se associou na administração pública e privada para se locupletar do orçamento de um município. Portanto, não havia a menor publicidade sobre alguns certames que eram promovidos pela prefeitura. O que deveria ser uma licitação ou tomada de preços ampla, geral e irrestrita, funcionava como ação entre amigos.

É mais do que necessário que os órgãos de Controle Externo crie normas obrigando os municípios a disponibilizar os editais de licitação em suas respectivas páginas na internet, bem como manter publicações no Diário Oficial do Estado, independente do valor e do objeto dos certames. Outra norma adequada seria a obrigatoriedade de as cidades constituírem o próprio Diário Oficial.

Diante do todo o material recolhido em Carapebus, a próxima etapa da Operação Marco Zero no município deverá ocorrer de forma coercitiva. Tudo indica que irão surgir mandados de prisão.

Seria oportuno apurar pagamentos de shows. Há indícios de que muitos pagamentos foram efetuados pelo município sem que os shows tenham sido realizados. Outro fato: a real influência do presidente da Câmara de Vereadores, Juninho Luna (PT), em algumas secretarias. Ele teria domínio completo sobre, pelo menos, quatro pastas do governo, algumas delas estão no radar da investigação.

É possível que Carapebus, ainda antes do Carnaval de 2016, protagonize um show delação premiada. Seria prudente a polícia também investigar o editor de O Debate, afinal, ele também tem responsabilidade sobre as edições. Ou não?

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Na Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, não se fala em outra coisa. Um parlamentar cascudo se enamorou por uma jovem do distrito de Santa Maria, na zona rural do município, e ergueu um pequeno palácio para a amada. Na cidade onde não falta tijolo, esse tipo de construção dever ser tarefa simples.

Imagem de Amostra do You Tube

A moça, apelidada de Capitu, já se sente a primeira dama da cidade. Atua com desenvoltura no gabinete e ainda conta com um anjo da guarda, uma senhora loira, que atuou como subsecretária no governo do ex-prefeito Alexandre Mocaiber. Aliás, esta senhora é um cupido eficiente.

O romance segue no ritmo sertanejo do asfalto. Há quem diga que o mundo passou a gravitar em torno deste affair durante um lance em que os “pombinhos” se entreolharam. Era uma reunião comunitária e na ocasião o encontro era embalado ao som de “Vai dar namoro”, de Bruno e Marrone. Deu!