Este post foi publicado em Política Norte Fluminense em por .

crise maca

Macaé-RJ: Prefeitos, Dr. Aluízio, Sabino e Amaro Fernandes: grupo vai levar demandas ao governo Federal e estadual

A rede hoteleira de Macaé, no Norte Fluminense, começa a sentir os efeitos da crise econômica que assola a zona produtora de petróleo da Bacia de Campos. O setor registrou uma retração de 10%.

O epicentro desta crise na cidade é a queda na cotação internacional do barril do petróleo e o escândalo do Petrólão, que freou os investimentos da Petrobras, estatal que é a força motriz da economia local.

Após o escândalo, a Petrobras tirou o pé do acelerador nos investimentos que estavam previsto em seu plano de negócios.

A desvalorização do petróleo, que já vinha provocando uma tempestade financeira, agora foi agravada com a desvalorização do dólar, moeda padrão na cotação do ouro negro no mercado internacional.

O dólar valorizado e o aumento na produção poderiam atenuar os efeitos da crise, mas tudo indica que a bruxa vai continuar solta. A injeção de dinheiro na zona do euro e a produção estagnada por falta de investimentos detona uma paralisia econômica.

Nesta segunda-feira (dia 26), o prefeito de Macaé, Dr. Aluízio (PV), reuniu representantes de outros municípios para buscar alternativas contra a crise. Ao lado de Alcebíades Sabino (PSC), de Rio das Ostras, e Amaro Fernandes (PRB), de Carapebus, anunciou a intenção de elaborar uma lista de demandas para levar ao governo Federal e estadual.

Os prefeitos querem investimentos em infraestrutura para fomentar o mercado de trabalho. A pauta completa será definida em novo encontro marcado para o dia 2 de fevereiro, quando outros prefeitos deverão participar.

A crise na zona produtora de petróleo afeta todas as cidades que se alimentam de receitas dos royalties, mas é muito pior em cidades como Carapebus e Quissamã, que não têm outra fonte de receita.

Essas cidades surgiram no calor das emancipações entre o final da de´cada de 80 e final da década de 90 apenas de olho no dinheiro que jorrava das plataformas em alto mar.

Agora, sem outra alternativa econômica, estão à beira da falência.

Este post foi publicado em Política Norte Fluminense em por .

Neco

Neco: um dos maiores entraves na administração é a insubordinação de alguns auxiliares e a cotação de 38 mil quentinhas deixa uma lacuna no quesito austeridade e transparência

São João da Barra, no Norte Fluminense, é uma cidade onde o voto está muito longe de ser ideológico. Ali o voto é geneticamente fisiológico. A escolha dos dirigentes públicos – seja em cargos executivos ou legislativos – é ditada pelo estômago dos eleitores e nunca pela sensatez ou aptidão administrativa.

O atual prefeito da cidade, José Amaro de Souza Neco (PMDB), ex-vereador, conquistou o mandato com apoio da então prefeita Carla Machado em 2012. Ainda antes da posse, em janeiro de 2013, os dois entraram em rota de colisão. Atualmente estão em campo adversário, trocando insultos em redes sociais ou publicamente. É um espetáculo virtual!

Neco tinha todas as condições de fazer uma boa gestão. O governo não é um desastre, até porque não faz nada diferente do que a antecessora fazia, mas a percepção é de que o governo patina.

Um dos maiores méritos de Carla Machado era o exercício da autoridade. Sua doutrina administrativa é orientada no preceito do “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Auxiliar em flagrante desobediência aprendia que a porta da frente é a serventia da casa.

Já o sucessor peca neste quesito. A insubordinação de alguns auxiliares é notória. Neco manda e poucos obedecem. Fica a impressão de que reina, mas não governa.

A cidade já começa a discutir o processo sucessório de 2016, quando a criadora e a criatura deverão se enfrentar nas urnas. A ruptura é ruim para os dois, porque aplaina o terreno para que surja um fato novo no processo sucessório: o deputado Bruno Dauaire (PR), filho do ex-prefeito Betinho Dauaire.

Seu nome ainda não está inserido no debate sucessório. É possível que esteja desnutrido no que se refere a percentual de intenção de votos, mas Bruno detém condições objetivas de disputar um mandato: tem um partido, tem mandato de deputado, a família tem tradição política e ele poderá despontar como algo novo, muito embora seja herdeiro de uma dinastia.Contudo, é o único que pode entrar na corrida sucessória sem nada a perder.

Sobre o governo Neco, no quesito transparência, existem situações que carecem de explicações. Uma delas é o gasto descontrolado na saúde, setor em que a prefeitura comprou 38 mil quentinhas para distribuir entre os médicos. É muita comida. Daria para distribuir uma quentinha para cada habitante da cidade (30 mil habitantes) e ainda sobrariam 8 mil.

Mais surpreendente é o preço. Cada uma quentinha saiu a R$ 16 o quilo. Em qualquer restaurante da esquina um prato bem preparado pode ser comprado pela metade deste valor, o que torna difícil explicar um preço tão inflacionado. Na cidade onde a escolha do voto é ditada pelo estômago, a comida deve ter a mesma cotação do ouro.

Este post foi publicado em Opinião em por .

*Por Dorrit Harazim | Via O Globo

dorrit HarazinGostamos de pensar que a vida humana não tem preço. Que ela não pode ter valor quantificável nem ser comparada a nada, além dela mesma. E que a única justificativa para não impedirmos uma morte é quando esse ato impedir a perda de um número de vidas ainda maior. Foi o alemão Kant quem nos ensinou que seres humanos têm dignidade, não têm preço — até porque o que tem preço pode ser substituído por outra coisa, equivalente.

Também gostamos de pensar que todas as vidas humanas têm valor igual. Fora do âmbito da poesia e da filosofia, contudo, não é bem assim. A todo momento temos etiquetas de preço espetadas em nossas vidas por uma infinidade de agentes — de governos com políticas sociais a economistas forenses, de seguradoras a advogados da bioética, a lista é longa.

As cifras, é claro, também oscilam de acordo com os interesses e as circunstâncias — ora valemos mais, ora menos.

Tomem-se como exemplo algumas cotações feitas pelo governo dos Estados Unidos. Em média, as famílias das 2.280 vítimas do atentado do 11 de setembro de 2001 receberam uma indenização de US$ 2 milhões. Seis anos mais tarde, a indenização governamental concedida às famílias das 32 vítimas da fuzilaria na Universidade Virginia Tech foi de US$ 180 mil por cabeça. No caso das Torres Gêmeas, o valor derivara de uma decisão essencialmente emocional por parte do Congresso.

Para propor uma série de medidas visando reduzir a poluição do ar no país, a Agência Ambiental dos Estados Unidos estabeleceu o valor de US$ 9,1 milhão para cada vida. Já a Food and Drug Administration, agência americana com funções similares às da Anvisa, calculou esse valor em US$ 7,9 milhões para emplacar a obrigatoriedade de avisos antifumo em maços de cigarros. O Ministério dos Transportes, por sua vez, fixou em US$ 6,1 milhões o preço de uma vida ao apresentar a exigência de tetos de resistência dupla para automóveis.

No fundo trata-se apenas de uma equação matemática a mais para governos decidirem quanto querem gastar em programas destinados a diminuir perdas desnecessárias de vidas. Nada a ver, portanto, com a endêmica desigualdade das sociedades humanas, ilustrada de forma acachapante por estudo divulgado semana passada. Segundo dados da Oxfam, as fortunas dos 80 bilionários mais ricos do mundo equivalem ao que possuem os 3,5 bilhões de bípedes mais pobres do planeta. Quatro anos atrás, ainda era preciso somar a riqueza de 388 bilionários para o resultado ser o mesmo de hoje.

De uns tempos para cá, o valor do ser humano tem tido sua cotação inflacionada por um agente novo, o Estado Islâmico. O aquecimento do mercado de sequestros é estrondoso.

Embora pedidos de resgate sejam tão velhos quanto bandidagem, sequestros e dinheiro, o caso dos dois cidadãos japoneses capturados na Síria não tem precedente. Através de um vídeo postado na terça-feira, o Estado Islâmico ameaçou decapitar Kenji Goto e Haruna Yukawa se o Japão não pagasse 200 milhões de dólares em 72 horas.

Goto, jornalista freelancer de 45 anos, fora capturado em outubro, dois meses depois de o segurança privado Yukawa cair em mãos dos jihadistas. Ambos foram exibidos ao mundo em coreografia idêntica à que antecedeu às decapitações de quatro reféns ocidentais no ano passado.

A novidade está no valor pedido e na natureza pública da exigência. Se uma década atrás os pedidos de resgate giravam em torno de US$ 200 mil, numa segunda fase o negócio pulara para outro patamar — entre US$ 2 milhões e US$ 4 milhões por uma vida humana. Nada, portanto, que se compare aos US$ 200 milhões agora exigidos em troca dos japoneses. Já no caso do jornalista americano James Foley, primeiro decapitado pelo Estado Islâmico, os jihadistas haviam negociado um valor de US$ 135 milhões com a família do refém. Porém em surdina.

Embora governos evitem admitir que negociam com sequestradores, uma investigação do “New York Times” publicada em julho apontou a França como sendo o país que mais desembolsa para ter seus cidadãos libertados: US$ 54 milhões desde 2008. No mesmo período, a Suíça teria pago US$ 12 milhões, a Espanha um pouco menos, a Áustria, US$ 3 milhões. Seriam, em média 12 transações por ano com a al-Qaeda e suas afiliadas.

Uma das negociações mais assombrosas ocorreu em 2003, quando um agente alemão desembarcou de um avião militar quase vazio na capital do Mali. Trazia 5 milhões de euros divididos em três malas e encontrou-se secretamente com o presidente africano.

Listado como ajuda humanitária, o dinheiro se destinava a libertar 32 reféns europeus capturados por um grupo jihadista afiliado à al-Qaeda. As malas atravessaram meio país a bordo de uma caminhonete. Ao receberem o butim, os terroristas conferiram os bilhetes em cima de um cobertor estendido na areia.

O espetaculoso valor do atual resgate-ostentação, no entanto, visa sinalizar ao mundo que o Estado Islâmico tem agenda própria e deve ser temido. O Japão talvez sequer precise pagar essa montanha de dinheiro. Pouco antes de o vídeo terrorista ser exibido, o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe prometera uma ajuda não militar de US$ 200 milhões para o combate aos jihadistas. Talvez baste que ele desista desse aporte (*).

A demonstração de quem venceu terá sido feita.

Vale lembrar o teor de um comunicado dos países do G-8, assinado também pelo Japão dois anos atrás: “Rejeitamos, inequivocamente, pagar resgate a terroristas e apelamos a todas as nações e empresas do mundo para que sigam nossa diretriz de erradicar essa prática”.

Em tempo: O menino Asafe Costa de Ibrahim, de 9 anos, e a carioquinha Larissa de Carvalho, de 4, são as duas vítimas fatais de uma semana de balas perdidas no Rio. Não cresceram o bastante para se perguntar sobre o sentido das coisas. Mas viveram o suficiente para retratar o quão pouco vale a vida humana quando a violência faz parte da rotina da sociedade.

*Dorrit Harazim é jornalista. O artigo foi publicado na edição deste domingo (25/01) de O Globo

(*) Este artigo foi escrito antes que o Japão ou os terroristas anunciassem o desfecho do caso

Este post foi publicado em Política Norte Fluminense em por .

Dr aluizio macaeO prefeito de Macaé, Dr. Aluízio (foto), está de malas prontas para deixar o PV. Seu destino deverá ser o PMDB, do governador Luiz Fernando Pezão, ou o PSB.  A relação do prefeito entre os verdes se tornou indigesta desde a eleição do ano passado, quando a legenda optou pelo apoio à candidatura de Lindberg Farias (PT) ao governo do Rio.

Dr. Aluízio e outros correligionários, como a vereadora carioca Aspásia Camargo, divergiu dos rumos e apoiou a eleição de Pezão.

No PMDB o prefeito estará a vontade.  Sua relação com a cúpula peemedebista no Estado não poderia ser melhor.  Se melhorar estraga.

Este post foi publicado em Cidades em por .

A Receita Federal, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal desvendaram uma das maiores fraudes no pagamento de impostos no Estado do Espírito Santo.

Segundo as investigações, contribuintes eram iludidos com propostas de quitação ou redução de tributos a partir da utilização de supostos créditos originados em ações judiciais datadas do século 19.

Nesta quinta-feira, 22, a PF deflagrou a Operação Miragem, que tem como foco o combate a essas fraudes. A Polícia deverá, ao longo do dia, divulgar detalhes sobre como ocorriam às compensações para o pagamento de impostos. As fraudes estão estimadas em R$ 72 milhões.

A Receita Federal, em Brasília, informou que há indícios do envolvimento de escritórios de advocacia e empresas de consultoria tributária na utilização de créditos fictícios para compensar tributos federais ou suspender a cobrança de impostos.

Os envolvidos usavam, nos pedidos de descontos, escrituras públicas para transferir os créditos aos contribuintes por meio de cartórios que também estão sendo investigados. Na apuração inicial dos delitos, os peritos perceberam que os créditos não eram de natureza tributária. Os operadores do esquema recebiam até 50% dos tributos compensados indevidamente.

Para a Receita, há indícios da prática de crimes contra a ordem tributária, falsidade ideológica e uso de documentos falsos. O nome Miragem, dado à operação, é uma alusão ao suposto beneficio dado aos que adquiriam tais créditos.

Participam da ação 38 servidores da Receita Federal e 76 da Polícia Federal, que atuam, simultaneamente, nos municípios de Vitória, Vila Velha e Cariacica cumprindo 12 mandados de busca e apreensão em escritórios de advocacia, empresas de consultoria tributária, cartório de registro de notas, estabelecimentos de empresas que utilizaram créditos inexistentes para compensar ou suspender tributos e residências dos principais envolvidos.

Além dos mandados de busca e apreensão, estão sendo realizadas conduções coercitivas de dez pessoas para a prestação de esclarecimentos quanto à participação nas fraudes, entre advogados, responsáveis pelo cartório de notas, responsável pela transmissão de declarações fiscais e responsáveis por algumas das empresas que utilizaram os créditos.

Foram também determinados o sequestro de bens e o bloqueio de valores em nome dos mentores do esquema e de suas empresas.

Este post foi publicado em Sem categoria em por .

*Por Ranulfo Vidigal | Via Portal VIU ONLINE 

ranulfoO Brasil teve em Ignácio Rangel um pensador polêmico e instigante. Esse ilustre maranhense buscava uma saída para potencializar os recursos entorpecidos, ociosos e latentes que podem ser redirecionados economicamente, na geração de nichos especiais e esferas mais dinâmicas de inversão produtiva. Ações que permitiriam o descortinar de novos horizontes de ganhos para os capitais buscando lucros, ou para aqueles aplicados em áreas pouco remuneradoras.

Considerando que nossa economia, nos últimos anos revela baixíssimo crescimento e vai praticar um severo ajuste fiscal recessivo, as ideias do pensador nordestino se encaixam como uma luva na atual conjuntura. Hoje, o que mais falta para nosso país é exatamente um expressivo incremento do investimento em infraestrutura econômica, logística e ambiental.

Rangel compreendia o processo desenvolvimentista de uma nação, como dependente do que ele denominava de agentes cruciais – sendo o mais importante o Estado, com sua aliança de classes comandando este movimento, através da sua capacidade de decisão. Tudo isso provocando o que outro importante pensador – Albert Hirschman – denominava de mobilização dos recursos e aptidões ainda ocultas, dispersas, desperdiças, ou mal desenvolvidas. Nesse contexto, o desenvolvimento é interpretado como um processo oriundo de desequilíbrios, transformados em estímulos ao “espírito animal” dos capitalistas.

Trazendo para o debate as ideias de J. Schumpeter, Ignácio Rangel tinha ciência do papel estratégico dos investimentos mais dinâmicos – aqueles que geram novas combinações produtivas e organizacionais e a ampliação das oportunidades de novos negócios lucrativos.

Nesse sentido, lembrava o autor que a debilidade congênita que ainda perseguia o cenário brasileiro era a fragilidade de nosso sistema de crédito de longo prazo, débil e pouco capaz de criar mecanismos de transferência de recursos excedentes dos segmentos superavitários, na direção da busca do risco. O tempo passou e este problema persiste.

Na atualidade, a dominância financeira que preside os cálculos de avaliação da riqueza de certa forma trava decisões – principalmente quando os juros vigentes no exterior ficam cada vez menores (até negativos), enquanto os praticados por aqui mantém o preço do dinheiro absurdamente alto. Isso torna parte das opções de investimentos reais pouco atrativas.

O forte calor e a altas temperaturas que presenciamos nesse verão, junto com a forte crise hídrica que se aprofunda nos remetem a uma gama de oportunidades de investimentos produtivos na sociedade brasileira e sua rica biodiversidade. Isso, através da implantação de uma espécie de “New Deal Verde”. Ou seja, um planejamento de incentivo à proteção de ativos ecológicos tendo por meta o fortalecimento dos ecossistemas, através de medidas como recuperação de nascentes de nossos principais rios, recuperação de bacias hidrográficas, políticas públicas de reflorestamento de biomas (Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia) e fortalecimento da gestão das unidades de conservação no território nacional.

Já a melhoria da qualidade ambiental dos grandes centros urbanos pode ser obtida, através de investimentos em saneamento básico, defesa contra enchentes, combate à poluição do ar, incentivo ao transporte público de ônibus, metrô e trens. Tudo mediante parcerias entre o setor público e o setor privado, mas adequadamente reguladas pelo poder público.

A crise energética, que já se traduz em tarifas mais caras, pode ser combatida com programas de eficiência energética e redução de custos para as famílias, empresas e serviços públicos. Ou através de investimentos que substituam tecnologias convencionais por alternativas limpas, energias e matérias primas renováveis. Áreas que o setor privado pode apostar e lucrar.

O progresso moderno e genuíno diante dos limites ecológicos do planeta finito e da incapacidade da tecnologia de resolver o problema depende, cada vez mais, da exploração sustentável dos recursos ambientais e da proteção da natureza. Tudo buscando a estabilidade do clima, a resiliência de nossos ecossistemas e um adequado convívio entre o homem e o meio natural na busca de uma prosperidade partilhada.

*Ranulfo Vidigal é economista, mestre e doutorando pelo PPED-IE/UFRJ. Membro do GAPIS – Grupo de Áreas Protegidas e Inclusão Social – UFRJ/CNPQ.

Este post foi publicado em Carapebus-RJ em por .

Juninho Luna

Juninho Luna: Esta figura notória ainda pode ser encontrada na Câmara de Vereadores

Justiça em pequenos municípios é algo incompreensível e inalcançável. A justiça é falha e faltam advogados com capacidade de atuação.

Na cidade de Carapebus, no Norte Fluminense, o presidente da Câmara de Vereadores, Juninho Luna (PT), perdeu a eleição para mesa diretora do biênio que já se iniciou.

Impetrou uma ação na justiça com objetivo meramente protelatório. Conseguiu o que pretendia. Virou a mesa e continua no comando do legislativo.

Ele conseguiu um mandado de segurança no processo que argumenta fraude na eleição realizada no ano passado. Com isso, obteve uma decisão para continuar na presidência até que se julgue o mérito da ação.

A justiça engoliu e os advogados da parte contrária ficaram inertes.

Não houve fraude na eleição. Naquele ambiente que prima pelo fisiologismo e o empreguismo, Luna perdeu no voto. Em termos de conduta, os seus adversários não são diferentes. Gostam de benesses, trocam apoio legislativo por vantagens e só se rebelam em causa própria. Foi numa dessas que Juninho – sócio da administração do prefeito Armaro Fernandes (PRB), com indicação de vários secretários, inclusive na saúde – quebrou os dentes. A turma na Câmara se rebelou contra os mimos e deu o troco na escolha da presidência.

A classe política local é nivelada em tudo que se possa imaginar, mas no que se refere a eleição do legislativo, o processo transcorreu conforme manda o figurino. O governo no fundo do poço não conseguiu segurar a revolta dos serviçais.

Agora a cidade não sabe quando o mérito deste processo será julgado. Enquanto isso, Juninho vai ficando como um exemplo de que no jogo político é possível perde e levar.

Há quem diga que o processo sumiu. É possível, porque Carapebus é terra arrasada e tudo pode acontecer.

A corrupção na cidade é uma praga. Só no ano passado a Polícia Federal realizou duas operações na Prefeitura para apurar indícios de fraude em licitação. Foi a Operação Ave de Fogo, que recolheu farto material que deve provocar uma nova invernada.

O que se descobriu é uma farra de crimes contra a administração pública. Tem até o jornal O Debate de Macaé enfiado na história. O inquérito fala em formação de quadrilha e relata episódios retratando que a crença na impunidade é a mãe das falcatruas.

A PF vai voltar. Desta vez deve promover uma atuação mais coercitiva, possivelmente, com mandados de prisão. Elementos de convicção não faltam. Neste caso, é bom que algumas personagens estejam bem acomodadas, porque assim não terão endereços ignorados.

Este post foi publicado em Cidades em por .

O que a operadora de telefonia OI Velox está fazendo com os seus clientes é um crime sistemático que viola o Código de Defesa do Consumidor.  Desde o dia 23 de dezembro que vários clientes desta operadora no interior do Estado do Rio de Janeiro estão sem os serviços de conexão a internet.

A conta, no entanto, chega criteriosamente todos os meses. Conta salgada, diga-se de passagem, porque serviços de telefonia e internet no Brasil estão entre os mais caros do mundo.

A Agência Nacional de Telecomunicações tem se mostrado inoperante no que se refere a fiscalização dessas operadoras. O próprio sistema para acolher reclamações é falho e burocrático. A agência mais dificulta do que acolhe reclamações e quando alguém consegue formalizar uma denúncia, tudo continua na mesma.

O Brasil que é tão eficiente em cobrar tributos do andar de baixo é um país falho na hora de emparedar essas grandes corporações. Em um país sério, a OI Velox estaria descredenciada para operar e vender serviços.

Este post foi publicado em Política Norte Fluminense em por .

cemiterio sf

São Fidélis-RJ: cidade do Norte Fluminense “brilha” na novela Império, mas por lá os mortos boiam nas ruas e o povo chama urubu de meu loiro

A cidade de São Fidélis, no Norte Fluminense, foi um palco de notícias desastrosas em 2014. É uma das investigadas na Operação Ave de Fogo, desencadeada pela Polícia Federal, que apura fraudes em licitações. Tudo indica que esta novela terá novos capítulos, possivelmente, com ações coercitivas ou até mesmo prisões de alguns indiciados.

Com 2015 ainda no início, as perspectivas também não são animadoras. As finanças do município estão sinalizando esgotamento e a prefeitura já começou a atrasar salários. Diante dos acontecimentos, cargo de confiança no governo virou atividade de risco.

A escolha de um secretário de Educação foi uma penitência, porque quatro nomes declinaram do convite formalizado pelo prefeito Luiz Fenemê (PMDB). Como o ambiente do país coberto por recessão econômica, o que está ruim tende a piorar.

No pasto, o gado morre de fome, porque a cidade enfrenta uma das piores secas de sua história. Parece praga do Egito.

Neste ambiente inóspito até os mortos estão em pânico. Basta uma chuva para que restos mortais do cemitério local passem a boiar nas ruas.

E por falar em São Fidélis, a cidade está brilhando na novela Império. Confira e-mail endereçado por um morador da cidade:

O IMPÉRIO DE FENEMÊ

Nos últimos meses, o assunto mais comentado pelas ruas de São Fidélis e redes sociais é o nome da cidade que está sendo citado na novela global “Império”. E na última semana ainda mais, porque a personagem Magnólia, vivida pela atriz Zezé Polessa, disse de forma estridente: “- CHUPA SÃO FIDÉLIS”.

Até aí tudo bem! Uma ficção. Porém, quando o cidadão fidelense volta para a vida real ver que o município de São Fidélis passa por um dos piores momentos político-administrativo de sua história, digno da frase da personagem.

O inerte prefeito Fenemê conseguiu instalar no município um caos político, administrativo e financeiro. Tanto é verdade que, mesmo com o mega salário pago aos secretários municipais, muitos estão entregando o boné e indo embora. Primeiro a Secretária de Educação – que até hoje não foi substituída; depois, todo o staff do Controle Interno, também sem substituição; logo após o Procurador Jurídico; que já foi substituído, mas neste caso, retornaram ao grupo político dois advogados de Bom Jesus do Itabapoana que foram retirados por apoiarem veladamente nas últimas eleições o ex-prefeito Davi Loureiro. É o que dizem. Quem será o próximo? E os que ficaram? Bem, os que ficaram devem ter seus motivos pessoais no Império.

O pagamento do funcionalismo público municipal, do mês de dezembro foi pago com atraso, desrespeitando a legislação dá prazo até o quinto dia útil do mês subseqüente. Obras inacabadas trazendo transtornos à população e poluindo a paisagem, sem qualquer previsão de término. Atraso de pagamento a fornecedores. O trânsito, salve-se quem puder. Cachorros abandonados na rua; por terem muitos, brincam de pique esconde. Energia elétrica cortada por falta de pagamento. O termo “o último que ficar apaga a luz”, assim, não funcionará neste governo.

Concurso Público: não sai do papel. Enquanto isso a quantidade de contratados e comissionados desviados de função encontra-se com um percentual alarmante com relação aos servidores efetivos. Alô Tribunal de Contas! O Fundo de Pensão dos servidores atravessa dificuldade por falta de repasses. Sobrou até para os aposentados!

Educação, Saúde, Ação Social, Obras, Serviços Públicos, Agricultura etc. nem com pesquisa no Google acha-se alguma ação desenvolvida por estes setores.

O governo amarga a derrota na Câmara com a reeleição do vereador Jacozinho, onde arrastou consigo vereadores importantes da base aliada; o que pode prejudicar o andamento do governo, principalmente quando se tratar de criação de cargos de comissão para beneficiar aliados – os famosos DAS.

Enfim, enquanto a população fidelense se queixa nas ruas e em redes sociais da piada feita pela Magnólia na ficção; na vida real o texto usado por ela está sendo posto em prática pelo prefeito Fenemê, que com tal incompetência, berra aos quatro cantos da terra fidelense: – Chupa São Fidélis!

Este post foi publicado em Opinião em por .

*Por Ranulfo Vidigal | Via Portal VIU ONLINE

ranulfoPresenciamos atônitos os atentados na França e o seu desfecho trágico. Samuel Huntington enfatizando os processos fragmentadores de ordem cultural destacou em seus estudos, a divisão e o choque das civilizações. Tarik Ali fala em “Guerra de Fundamentalismos”. Já Giorgio Agamben fala do “estado de exceção”, tornando-se regra para controlar corpos e mentes e Ulrich Beck (recém-falecido) destacou a fase de insegurança crescente da “sociedade de risco”.

Passada a comoção e retirado o véu de emocionalidade, com que os meios de comunicação nos trazem o fato (na forma de clichês que pouco aprofundam as contradições envoltas no fato concreto) penso que vale pena problematizar os aspectos que rondam os países europeus (berço do iluminismo) nos tempos atuais.

Ao fomentar um processo acelerado de ruptura e desmonte do Estado Social – constituído por meio de lutas históricas do movimento operário, os países ricos do continente europeu vivem tempos de mudanças comportamentais. Acompanhamos pelos noticiários da imprensa e redes sociais uma conjuntura econômica de deflação no valor dos ativos reais e financeiros e estagnação econômica geradora de alto desemprego. Isso, contraditoriamente, incentiva tanto a perda de solidariedade, quanto a segregação racial e a xenofobia.

Fenômenos que crescem junto ao processo social que se aceleram nessa crise de grandes proporções (social, financeira, ambiental, produtiva, energética e de valores) em diversos países do Velho Continente. A França, especificamente, vive o risco de crescimento da extrema direita. Já na vizinha Inglaterra (centro financeiro do capitalismo europeu), a reação fortalece os trabalhistas, enquanto na Grécia (às portas das eleições legislativas) temos um partido de esquerda liderando as preferências nas pesquisas de intenção de votos. Aliás, situação muito parecida com o ambiente político na Espanha. As reações começam a pipocar.

O que mais me assusta é constatar que esse mesmo modelo regressivo de ajuste fiscal permanente, recessivo, enfraquecedor do poder de barganha da força de trabalho e gerador de insegurança começa a ser implantado com pompa e circunstância em nosso país, justamente por um partido representante da classe trabalhadora. Entre final de outubro e os dias atuais mudanças radicais estão se desenhando no quadro econômico brasileiro.

Diante uma carga de tributos alta e muito concentrada nos impostos indiretos que incidem mais exatamente sobre as famílias mais pobres, o Orçamento Fiscal busca garantir, de maneira intocável, a transferência para os credores da dívida algo em torno de 150 bilhões de juros em 2015. Tudo, mediante cortes severos nos gastos da Educação (aparentemente prioridade máxima do governo), nos direitos trabalhistas e previdenciários e no custeio da máquina pública (concursos públicos autorizados viram peça de ficção) e redução dos investimentos.

Qualquer cidadão comum que ande em nossas estradas esburacadas, busque um adequado atendimento em hospitais públicos, presencie valas negras nos bairros das periferias metropolitanas brasileiras, ou sofra os reflexos da crise hídrica que se aprofunda fica sem entender este “mantra” da austeridade – totalmente direcionado para “acalmar” os mercados financeira, quanto à capacidade real do país de cumprir devidamente, os contratos das dívidas interna e externa. A iniquidade é tão absurda que já existe, um placar do “impostômetro” em São Paulo, que marca cada centavo pago por nós cidadãos comuns, diariamente.

Logo, logo, alguém criativo vai montar outro painel em praça pública do “jurômetro da dívida eterna”, para retratar esse mecanismo sutil que sangra o orçamento federal e retira recursos das verdadeiras prioridades de uma Nação, que necessita de infraestrutura econômica e ambiental, maior qualidade e produtividade de sua força de trabalho e a volta do processo sadio de crescimento da produção de bens e serviços, com distribuição de renda.

Em qualquer sociedade, a questão básica é entender por que alguns problemas ganham a agenda governamental e outros não. Trata-se de compreender a força do papel exercido pelos símbolos e crenças daquela sociedade. Nesse contexto, uma mudança de agenda sempre é resultado da capacidade de pressão da sociedade – transformando o problema latente em busca de soluções e alternativas e na fixação de uma prioridade política para a aquela questão.

As primeiras manifestações populares contra o aumento abusivo das tarifas de transportes públicos, ou a greve dos trabalhadores das montadoras contra as demissões no setor dão um primeiro sinal de luz, sobre o que pode vir a se intensificar em nosso país diante do aprofundamento da crise social que se avizinha.

Um ditado popular se aplica ao drama atual: “quem semeia ventos colhe tempestades”.

*Ranulfo Vidigal é economista, mestre e doutorando em políticas públicas, estratégias e desenvolvimento pelo Instituto de Economia da UFRJ.